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Trechos das Aulas da Pós Graduação

FOLGA INTERNA E SLIP | POR QUE A VAZÃO DA BDP ROTATIVA NÃO É CONSTANTE

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Numa bomba rotativa sempre existe folga entre a parte móvel e a estacionária, sem a qual as superfícies se tocariam, e essa folga permite que parte do fluido recircule da alta para a baixa pressão. Esse escorregamento é o slip, e por causa dele a vazão da BDP rotativa não é constante: varia com a pressão e com a viscosidade. Em bomba de lóbulos com fluido acima de 1000 cP observa-se queda de cerca de 30% no rendimento volumétrico em relação à operação com água.

Conteúdo da Aula

A folga interna é o parâmetro construtivo que separa a bomba de deslocamento positivo rotativa da centrífuga, e também o ponto onde mais se erra na seleção e no diagnóstico. Por que a vazão da BDP cai quando o fluido muda, se o livro diz que é constante? A resposta está na folga, no slip e na divergência entre a forma acadêmica de explicar a BDP e a realidade industrial.

Dentro do universo das bombas de deslocamento positivo há dois grandes grupos: as alternativas, de pistão, diafragma e êmbolo, e as rotativas, de engrenagem, lóbulos, palheta, parafuso e helicoidal. A peristáltica é um caso curioso, rotativa pela construção mas com comportamento de alternativa, já que cada trecho entre dois roletes funciona como um pistão que só empurra para a frente.

Em uma bomba rotativa há sempre uma folga entre a parte móvel e a estacionária. Sem ela as superfícies se tocariam e o equipamento se danificaria em poucos segundos. A alternativa também tem folga entre seus elementos, mas a vedação das válvulas de retenção é tão eficiente que o vazamento interno é praticamente desprezível, e por isso o slip quase não existe numa alternativa em bom estado.

Nas rotativas a história muda. A folga permite que uma quantidade do fluido recircule internamente. O rotor empurra contra a contrapressão do processo, e quanto maior essa contrapressão, mais o produto volta pela folga. Aqui está o ponto que a maioria dos cursos de graduação ignora: a vazão da bomba rotativa de deslocamento positivo não é constante, varia em função da pressão e da viscosidade.

O efeito aparece com clareza ao comparar o bombeamento de água com um produto viscoso. Em bomba de lóbulos típica, com fluido acima de 1000 cP, observa-se queda de cerca de 30% no rendimento volumétrico em relação à água. Esse é o tipo de informação que os gráficos de fabricante trazem em tabela ou curva, e que precisa entrar na seleção quando o fluido real não é água.

O slip equivale, em conceito, à recirculação interna que também aparece em centrífugas, só que na BDP rotativa o efeito é mais sensível: uma folga de décimos de milímetro já muda o comportamento. Uma bomba entregando 1 litro por minuto pode estar deslocando teoricamente 1,1 litro e perdendo 100 mL para a recirculação, com rendimento de 90%, e em situações mais críticas o rendimento volumétrico cai para 70%.

Em bombas de engrenagens internas com folga aumentada por desgaste a queda é dramática: mesmo fechando a válvula de descarga a pressão não sobe ao valor esperado, porque o produto encontra caminho de menor resistência pela folga. Já houve diagnóstico em que o equipamento parecia ter perda de motor, e o motivo real era folga aumentada permitindo recirculação.

Isso decide seleção. Quando o processo exige vazão controlada, em dosagem, injeção de aditivo ou alimentação de reator, a bomba precisa entregar volume previsível independente da contrapressão, e por isso as dosadoras de alta pressão quase sempre são alternativas. Há exceções relevantes: fabricantes produzem bombas de lóbulos com ponta de borracha vulcanizada que toca a carcaça, deformando e produzindo vedação quase perfeita, com slip muito reduzido.

O último ponto é o trade-off entre precisão e preço. Quanto menor a folga e maior a precisão de usinagem, mais cara a bomba. Comparando dois modelos do mesmo tipo com preço muito diferente, em geral a diferença está na qualidade da usinagem e na tolerância das peças, o que também influencia a curva de manutenção. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

POR QUE A FOLGA INTERNA EXISTE?

Porque sem ela as superfícies móvel e estacionária se tocariam e o equipamento se danificaria em poucos segundos. O preço dessa folga é a recirculação interna.
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O QUE É SLIP?

É o escorregamento de fluido da região de alta pressão de volta para a de baixa, pela folga interna. Cresce com a contrapressão e cai com o aumento da viscosidade.
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QUANTO O VISCOSO MUDA O RENDIMENTO?

Em bomba de lóbulos com fluido acima de 1000 cP, cerca de 30% de queda no rendimento volumétrico em relação à água. O dado vem dos gráficos do próprio fabricante.
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POR QUE DOSADORA DE ALTA PRESSÃO É ALTERNATIVA?

Porque a dosagem exige volume previsível independente da contrapressão. Nas rotativas, quando a pressão sobe, o slip domina e a precisão se perde.

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