
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
PRESSÃO ABSOLUTA VS RELATIVA | POR QUE O VACUÔMETRO PARA EM -1 BAR
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.
A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A menor pressão relativa que existe é menos a pressão atmosférica: -1 bar, -760 mmHg ou -14,7 psi. Isso porque a pressão absoluta parte do vácuo absoluto e a relativa parte da atmosfera, então pressão absoluta é igual à pressão efetiva mais a atmosférica. Como a absoluta não pode ser negativa, o lado do vácuo tem apenas um bar de percurso, contra centenas ou milhares do lado pressurizado.
Conteúdo da Aula
A pressão atmosférica é a pressão exercida pela coluna de ar da atmosfera sobre tudo o que está na superfície do planeta. Ao nível do mar ela vale 1 atm, equivalente a 101,3 kPa, 14,7 psi ou 760 mmHg. É dessa referência que nasce a diferença mais mal compreendida das folhas de dados.
A pressão absoluta é medida a partir do vácuo absoluto, o zero verdadeiro, aquela condição hipotética de um reservatório completamente sem ar. A definição é rigorosa e pouco prática, porque ninguém esvazia o reservatório para depois medir. A pressão efetiva, também chamada de relativa, é medida a partir da pressão atmosférica, e é o que o manômetro comum enxerga: como a atmosfera age no equipamento, no instrumento e em quem opera, o instrumento desconta essa parcela e mostra quanto o sistema está acima ou abaixo dela. A relação é direta: pressão absoluta é igual à pressão efetiva mais a atmosférica. Um manômetro marcando 5 bar ao nível do mar indica 6 bar absolutos.
Na literatura norte-americana a unidade carrega a escala. PSIA é psi na escala absoluta, de absolute. PSIG é psi na escala relativa, de gauge, leitura de instrumento. No Brasil não há sufixo consagrado, o que aumenta a confusão: é comum encontrar ABS para a absoluta e nada para a relativa. E a mesma leitura muda de nome conforme o lado da atmosfera: acima dela chamamos de pressão manométrica, abaixo dela de pressão de vácuo.
Um exemplo derruba muita gente: um reservatório com pressão absoluta de 80 kPa está pressurizado ou em vácuo? Como 80 kPa é menor que 101,3 kPa, o sistema está em vácuo, com pressão efetiva negativa. Quem lê 80 kPa pensando em manômetro erra o diagnóstico inteiro. Em catálogo de bomba de vácuo a situação piora: há fabricante que informa a pressão de vácuo como número positivo, outro que usa escala absoluta sem avisar, e as unidades variam entre mmHg, Torr, milibar e mícrons. Em refrigeração trabalha-se com vácuos da ordem de 500 mícrons, numa escala ampliada em que 760 mm de mercúrio equivalem a 760 mil mícrons.
Daí sai a pergunta que trava turmas inteiras: qual a menor pressão relativa de vácuo que existe? Se a menor absoluta possível é zero, a menor relativa é menos a atmosférica. Em bar, -1 bar. É o fundo de escala físico de qualquer vacuômetro. E enquanto sistemas pressurizados chegam a milhares de bar, o lado do vácuo tem esse único bar de percurso, onde uma variação pequena já colapsa reservatório que não foi projetado para pressão externa.
Vale notar que a própria referência da escala relativa não é fixa: a atmosférica cai com a altitude, na ordem de 12 Pa por metro. Entre andares de um prédio a diferença é desprezível, mas entre o litoral e uma cidade a 1000 m ela entra no dimensionamento, principalmente nas análises que dependem da pressão absoluta, como a cavitação.
Três hábitos resolvem quase tudo: identificar a escala antes de usar o número, trabalhar em pressão absoluta nas análises de cavitação e em sistemas gasosos, e exigir do fornecedor a unidade e a escala por escrito ao especificar bomba de vácuo. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
QUAL A MENOR PRESSÃO DE VÁCUO POSSÍVEL?
Menos a pressão atmosférica: -1 bar, -760 mmHg ou -14,7 psi. Como a pressão absoluta não pode ser negativa, esse é o fundo de escala físico de qualquer vacuômetro.
______________________________
O QUE SIGNIFICAM PSIA E PSIG?
PSIA é a pressão em psi na escala absoluta, medida a partir do vácuo absoluto. PSIG é em psi na escala relativa, medida a partir da atmosfera, que é a leitura do manômetro comum.
______________________________
UM SISTEMA A 80 kPa ABSOLUTOS ESTÁ EM VÁCUO?
Sim. Como 80 kPa é menor que os 101,3 kPa da atmosfera ao nível do mar, a pressão efetiva é negativa e o sistema está em vácuo.
______________________________
A ALTITUDE MUDA A PRESSÃO DE REFERÊNCIA?
Muda. A atmosférica cai cerca de 12 Pa por metro. Entre andares de um prédio é desprezível, mas entre o litoral e uma cidade a 1000 m entra no cálculo, sobretudo em análise de cavitação.





