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Trechos das Aulas da Pós Graduação

SECADOR E FILTRO | OS FATORES DE CORREÇÃO QUE MUDAM A CAPACIDADE

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.

 

A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Fabricantes declaram a capacidade do secador em uma condição própria de pressão, temperatura de entrada e temperatura ambiente, e cada um escolhe a sua. Trazendo um exemplo à condição real, 34 metros cúbicos por hora viram 29,25 depois de aplicados os três fatores. O filtro segue a mesma lógica, sem o fator de ambiente, porque nele não há troca de calor.

Conteúdo da Aula

Escolher secador e filtro parece a parte fácil do dimensionamento. Basta olhar a vazão no catálogo e pegar o modelo compatível. É exatamente aí que se erra, e o motivo está em uma informação que fica no rodapé da tabela.

Antes de qualquer número vem a definição do ponto de orvalho que a aplicação exige, e definido ele a lista de tecnologias viáveis se reduz sozinha. O dimensionamento em si independe do tipo escolhido: seleciona-se pela vazão, com a pressão entrando como fator de correção.

O secador por refrigeração é o mais comum e serve de referência. Quando a aplicação exige orvalho negativo, é frequente combinar duas tecnologias, com refrigeração derrubando o orvalho para a casa dos três graus e adsorção fazendo o complemento. Observe por que a combinação compensa: o secador por adsorção consome ar para regenerar o dessecante, e se ele tiver que fazer a secagem inteira a regeneração fica muito mais frequente, ou a máquina precisa ser bem maior.

Os fabricantes declaram a capacidade do secador em função de três parâmetros: pressão de trabalho, temperatura do ar na entrada e temperatura ambiente. Esses três definem a carga térmica que a máquina precisa vencer, e a conta é a mesma do ensino médio, calor igual a massa vezes calor específico vezes variação de temperatura, trocando massa por vazão em massa para sair fluxo de calor. A temperatura de admissão influencia na carga a remover, e a temperatura ambiente influencia na capacidade de rejeitar esse calor.

E aqui está o ponto: cada fabricante escolhe a sua condição de referência. Uma marca declara a capacidade com temperatura ambiente de 38 graus, outra declara com 25 graus, mantendo os mesmos sete bar de pressão.

Ambiente a 25 graus favorece a troca de calor, e a máquina ensaiada nessa condição teve a vida mais fácil para entregar aquele número de vazão. A máquina ensaiada a 38 graus entregou o mesmo número numa situação térmica bem pior. Note a conclusão: se as duas declaram a mesma vazão, a que foi ensaiada na condição desfavorável tem, na prática, mais capacidade. Colocar os dois catálogos lado a lado e escolher pelo número publicado é comparar coisas diferentes.

O caminho correto é aplicar os fatores de correção de cada catálogo e trazer ambos para a condição real da sua planta. Veja um exemplo completo: um secador declarado com 34 metros cúbicos por hora, operando a 10 bar, com temperatura de entrada de 40 graus e ambiente de 30 graus. O fator de pressão para 10 bar é 1,12, favorável. O fator de temperatura de entrada para 40 graus é 0,8, desfavorável. O fator de temperatura ambiente para 30 graus é 0,96, levemente desfavorável. Multiplicando os três sobre os 34, a capacidade real fica em 29,25 metros cúbicos por hora.

Observe que nem todo fator reduz. Pressão mais alta aumenta a capacidade: a 16 bar, o mesmo secador teria quase 30% a mais. Por isso é preciso aplicar todos, e não só os que preocupam.

Para o filtro o raciocínio é idêntico, com uma diferença: não entra temperatura ambiente, porque nele não há troca de calor, ficando pressão e temperatura de entrada do ar. Um exemplo: filtro de 60 litros por segundo, operando a 8 bar com temperatura de entrada de 40 graus, com fator de pressão igual a um e de temperatura 0,71, tem capacidade real de 42,6 litros por segundo. Na prática, escolher um filtro com capacidade abaixo do necessário é como estreitar uma rodovia de cinco pistas para três.

O tema terminou com dois alunos encontrando erros nas tabelas apresentadas, e isso virou a parte mais útil da discussão. O primeiro apontou que a tabela trazia 30 graus Celsius convertidos como 96 Fahrenheit, quando o valor correto é 86, erro de conversão no próprio catálogo do fabricante. O segundo questionou de onde vinha o fator de correção de 0,71 usado no exemplo do filtro, porque a tabela que estava na tela não continha esse valor, e tinha razão: a tabela projetada era a de correção de pressão, não a de temperatura de entrada.

Isso depende de reconhecer uma coisa simples. Catálogo é feito por gente, muitas vezes por quem não é da área técnica, e nem sempre passa por revisão. Unidade com notação errada, conversão trocada, tabela que não corresponde ao texto. Acontece em catálogo e acontece em livro. O hábito que protege é ir à fonte quando o número for decidir alguma coisa: conferir a conversão, conferir a condição de ensaio, perguntar ao fornecedor.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

POR QUE NÃO COMPARAR SECADORES PELO NÚMERO DO CATÁLOGO?

Porque cada fabricante escolhe sua condição de ensaio. A mesma vazão declarada a 38 graus de ambiente significa mais capacidade real que a declarada a 25.
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QUAIS FATORES CORRIGEM A CAPACIDADE DO SECADOR?

Pressão de trabalho, temperatura do ar na entrada e temperatura ambiente. Nem todos reduzem: pressão mais alta aumenta a capacidade.
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O FILTRO USA OS MESMOS FATORES?

Quase. Entram pressão e temperatura de entrada, e não entra temperatura ambiente, porque no filtro não há troca de calor.
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VALE COMBINAR REFRIGERAÇÃO COM ADSORÇÃO?

Vale quando a aplicação exige orvalho negativo. A refrigeração faz o trabalho grosso até cerca de três graus e a adsorção completa, consumindo menos ar na regeneração.

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