
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
UNIÕES FLANGEADAS | A RAQUETE ESQUECIDA E O TORQUE QUE SE PERDE
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

No aperto de flange, de 70 a 80% do torque aplicado é gasto apenas vencendo o atrito da rosca e da face da porca, e só o restante vira força de aperto real sobre a junta. Por isso apertar até o limite está errado: demais danifica a junta e o parafuso, de menos não veda. O correto é o torque especificado, aplicado em sequência cruzada e progressiva, em mais de uma passada.
Conteúdo da Aula
A escolha e a execução da união são uma das causas mais frequentes de vazamento crônico em planta, e a união flangeada concentra boa parte dessas ocorrências, justamente por ser a mais comum e a que mais parece simples.
O flange é a solução desmontável por excelência. Permite retirar uma válvula, um instrumento ou um trecho de linha sem cortar nada, e é por isso que ele aparece em todo ponto que a manutenção precisa acessar. Essa vantagem vem acompanhada de uma responsabilidade: toda junta flangeada é um ponto potencial de vazamento, e quanto mais flanges, mais pontos.
Vale conhecer o flange cego, a famosa raquete. É uma peça usada para bloquear fisicamente a linha durante manutenção, com uma extremidade vazada e outra fechada, podendo ser girada conforme a necessidade. O problema aparece quando ela é esquecida na posição fechada depois do serviço: a bomba parte, não entrega nada, e parece estar com defeito, quando na verdade a linha está bloqueada por uma peça que ninguém lembrou de virar.
Há uma nota de segurança que pouca gente leva a sério. Um vazamento fino em flange pressurizado sai com energia suficiente para cortar o dedo. É exatamente por isso que existe o protetor de flange, e é por isso que, para localizar de onde vaza, se usa papel, nunca a mão.
E há o dado que surpreende no aperto: de setenta a oitenta por cento do torque aplicado é gasto só vencendo o atrito, na rosca e na face da porca, e só o restante vira força de aperto de verdade sobre a junta. Isso significa que a relação entre o que a chave marca e o que a junta recebe não é direta, e depende de lubrificação, estado da rosca e condição da superfície.
Por isso apertar até sangrar está errado. Torque demais esmaga a junta, deforma o flange e pode escoar o parafuso. Torque de menos não gera a pressão de contato necessária e a junta vaza. O certo é o torque especificado para aquele conjunto de flange, parafuso e junta, aplicado em sequência cruzada e progressiva: nunca um parafuso de cada vez até o fim, e sim várias passadas em cruz até atingir o valor final.
Esse cuidado parece burocrático até a primeira junta que vaza em serviço quente e exige parada para reaperto. A partir dali, a sequência de aperto deixa de ser detalhe e vira procedimento. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
QUANTO DO TORQUE VIRA APERTO DE VERDADE?
Apenas 20 a 30%. De 70 a 80% do torque aplicado é gasto vencendo o atrito da rosca e da face da porca.
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QUAL A SEQUÊNCIA CORRETA DE APERTO?
Cruzada e progressiva, em várias passadas, até atingir o torque final. Nunca apertar um parafuso de cada vez até o fim.
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O QUE É A RAQUETE?
É o flange cego usado para bloquear fisicamente a linha em manutenção. Esquecida na posição fechada, faz a bomba parecer com defeito quando a linha é que está bloqueada.
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COMO PROCURAR VAZAMENTO EM FLANGE?
Com papel, nunca com a mão. Um vazamento fino em flange pressurizado sai com energia suficiente para cortar o dedo, e é por isso que existe o protetor de flange.





