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Trechos das Aulas da Pós Graduação

BOMBA AFOGADA VS NÃO AFOGADA | A REFERÊNCIA QUE DERRUBA O PROJETO

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Bomba afogada é a que está instalada abaixo do nível do reservatório de sucção, e não afogada a que está acima, o que não tem relação com bomba submersível, essa fisicamente dentro do reservatório. O sinal da altura geométrica de sucção depende inteiramente do plano de referência adotado: tomando o nível do reservatório como referência, a bomba afogada tem HSUC negativo e pressão positiva na entrada, enquanto o fabricante costuma adotar a própria bomba como referência e publicar −9,5 m para indicar o quanto ela puxa abaixo de si mesma. Mesma medida física, sinais opostos.

Conteúdo da Aula

Um fornecedor liga dizendo que a bomba tem sucção negativa. O comprador anota e leva isso para o projeto. Três meses depois, a bomba está cavitando. Conversando com o fornecedor, descobre-se que negativo significava uma coisa para ele e outra para a planta.

A altura geométrica de sucção é a diferença de cota entre o nível do reservatório de sucção e a linha de centro da bomba, ou o olho do rotor no caso de bomba vertical. Como todo conceito relativo, exige uma referência. Usamos altura geométrica, e não altura de energia, porque é uma cota fisicamente mensurável: vai lá com a trena e mede.

O conceito de bomba afogada e não afogada não tem relação com bomba submersível. Afogada significa instalada abaixo do nível do reservatório de sucção, e não afogada acima desse nível. Submersível é outra coisa: ela está fisicamente dentro do reservatório. Toda submersível é também afogada, mas nem toda afogada é submersível.

Aqui mora a maior fonte de erro de catálogo da indústria. Quando alguém fala em altura de sucção negativa, é preciso perguntar duas coisas. Primeiro, se está falando de pressão na linha ou de altura geométrica. Segundo, se for altura geométrica, qual o plano horizontal de referência: o nível do reservatório ou a linha de centro da bomba?

A escolha mais consistente para projeto é usar o nível do reservatório. O motivo é prático: quando se começa o dimensionamento, ainda não está definido onde a bomba vai ficar. A planta sabe de onde está tirando o produto e para onde está levando, e a posição exata do equipamento é decisão posterior. Com essa convenção, a bomba afogada tem pressão positiva na entrada, porque existe coluna de líquido empurrando, e altura geométrica de sucção negativa, porque está abaixo do plano. A não afogada tem pressão negativa na entrada e altura geométrica positiva. Já o fabricante costuma adotar a bomba como referência, e por isso aparece em catálogo −9,5 m, −7,5 m ou −5 m para indicar a altura que ela consegue puxar abaixo dela mesma.

Num treinamento prático com uma caixa d'água de cerca de 1,9 m e um mangote de 1,5 m, conseguimos cavitar a bomba propositalmente. Era água a temperatura ambiente e a instalação não tinha nada de extraordinário: bastou combinar uma sucção próxima do limite com perdas de carga elevadas no mangote e na entrada.

Esse tipo de caso reforça uma diferença prática importante. Na bomba afogada, a coluna de líquido cobre boa parte das perdas de carga da sucção, e o NPSH disponível tende a ser confortável. Na não afogada, qualquer aumento de perda de carga, como filtro entupido, válvula parcialmente fechada ou redução de diâmetro, pode levar a pressão na entrada a um valor que vaporiza o líquido. E aí o engenheiro precisa distinguir se a cavitação vem de pressão de vapor ou de entrada de ar, porque os efeitos são quase idênticos e a solução é radicalmente diferente.

Quando o fabricante informa altura de sucção de −9,5 m a nível do mar com água, ele está dizendo que a bomba puxa de uma profundidade de 9,5 m abaixo da linha de centro dela mesma. Adotando o plano de referência no nível do reservatório, aquela mesma cota vira +9,5 m. Mesmo número, sinal trocado, por causa da referência. Se o fornecedor dá −7,5 m e o projetista interpreta no próprio referencial, o erro chega ao dobro do valor de coluna admissível. É bomba que entra em planta dimensionada para cavitar. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

BOMBA AFOGADA É O MESMO QUE SUBMERSÍVEL?

Não. Afogada é a que está abaixo do nível do reservatório de sucção. Submersível está fisicamente dentro do reservatório. Toda submersível é afogada, mas nem toda afogada é submersível.
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O HSUC DA BOMBA AFOGADA É POSITIVO OU NEGATIVO?

Depende da referência. Com o plano no nível do reservatório, é negativo, e a pressão na entrada é positiva. O fabricante usa a própria bomba como referência e publica o sinal contrário.
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O QUE PERGUNTAR AO FORNECEDOR?

Duas coisas: se o número é pressão na linha ou altura geométrica, e qual o plano de referência adotado. Sem isso, o erro de interpretação chega ao dobro do valor admissível.
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POR QUE A NÃO AFOGADA CAVITA MAIS FÁCIL?

Porque não tem a coluna de líquido cobrindo as perdas da sucção. Filtro entupido, válvula fechando ou redução de diâmetro já derrubam a pressão de entrada até vaporizar o líquido.

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