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Trechos das Aulas da Pós Graduação

POR QUE TODA BOMBA CENTRÍFUGA EXIGE ESCORVAMENTO

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Escorvamento é o preenchimento completo da carcaça da bomba e da tubulação de sucção com líquido antes da partida, obrigatório sempre que a bomba é nova, passou por manutenção ou ficou parada tempo suficiente para o produto retornar ou evaporar. A exigência vem da física da centrífuga: o rotor transfere energia para um líquido, e com ar dentro da carcaça a massa específica é baixa demais para gerar a queda de pressão que faz a atmosfera empurrar o produto para dentro. A bomba gira, mas não opera.

Conteúdo da Aula

Uma bomba centrífuga acaba de ser instalada, o motor está girando, a válvula está aberta, e nada acontece. A bomba gira, faz ruído, mas a vazão é praticamente zero. Quase sempre o motivo é o mesmo: o equipamento não foi escorvado.

Escorvamento é o preenchimento completo da carcaça da bomba e da tubulação de sucção com líquido, antes da partida. Deve ser executado sempre que a bomba é nova, sempre que houve manutenção, e sempre que a bomba ficou parada tempo suficiente para que o produto retorne para o tanque ou evapore. Durante a operação contínua ela se mantém escorvada por si mesma. O problema é justamente a partida.

Essa exigência vem de uma característica física da bomba centrífuga: ela não lida bem com gases. O rotor está projetado para transferir energia para um líquido, e quando o que está dentro da carcaça é ar ou mistura ar e líquido, a massa específica é muito menor que a do fluido de projeto. A energia transferida não é suficiente para gerar a variação de velocidade e pressão necessária para succionar o produto.

Vale distinguir dois fenômenos que aparecem juntos na planta. A aeração é a presença de ar livre no escoamento, geralmente por entrada involuntária em conexões mal vedadas, juntas clamp mal fechadas ou engates rápidos. A cavitação é o líquido virando vapor dentro da bomba por queda de pressão abaixo da pressão de vapor. Os dois geram vibração, queda de vazão e implosão de bolhas, por isso são facilmente confundidos. A origem é diferente: um vem do ar externo, o outro vem do próprio líquido bombeado.

Dois casos ilustram. Num treinamento com uma empresa de infraestrutura para eventos, trocamos um mangote pequeno por um maior em um engate rápido, para demonstrar como o diâmetro influencia a vazão. Na troca, entrou ar. A bomba ligou, ficou girando, e a caixa d'água simplesmente não enchia. Nada de errado tinha sido feito do ponto de vista mecânico: bastou o ar entrar para o equipamento parar de bombear.

O segundo caso vem de um programa de televisão. Uma equipe de garimpo tinha alugado uma bomba para apoiar o trabalho de campo. A bomba ligava, girava, e não puxava produto. O pessoal acionou o locador, perdeu o dia inteiro entre deslocamento e atendimento, e quando o técnico chegou ele pegou a mangueira, encheu a linha de sucção, jogou a água para dentro do poço e mandou partir. A bomba funcionou em segundos.

Quando a bomba está escorvada, o rotor opera submerso em líquido. O líquido entra no olho do rotor já com velocidade, sofre aceleração pelo efeito centrífugo e gera uma queda de pressão local na entrada. Essa pressão mais baixa cria uma diferença em relação à pressão atmosférica que atua sobre o reservatório, e é essa diferença que empurra o produto para dentro. A bomba não puxa o líquido: ela apenas reduz a pressão na entrada, e quem faz o trabalho de empurrar é a atmosfera.

Na prática, o escorvamento malfeito é uma das causas mais frequentes de partida sem produto, queima de selo mecânico simples e perda de produção. O selo simples, sem fluido de barreira, depende do líquido bombeado para refrigerar e lubrificar a face, e se a bomba parte seca as faces entram em contato direto e aquecem em segundos. Antes de cada partida, três perguntas valem o procedimento: a bomba tem produto na sucção, a tubulação até ela está cheia, e o sistema de selagem tolera alguns segundos sem produto? Se alguma resposta for não, a partida não acontece. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

O QUE É ESCORVAMENTO?

É encher completamente a carcaça da bomba e a tubulação de sucção com líquido antes da partida. Obrigatório em bomba nova, após manutenção, e sempre que ela ficou parada tempo suficiente para esvaziar.
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POR QUE A BOMBA NÃO FUNCIONA COM AR DENTRO?

Porque a massa específica do ar é baixa demais. A energia que o rotor transfere não gera a queda de pressão necessária para que a atmosfera empurre o produto para dentro da bomba.
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AERAÇÃO E CAVITAÇÃO SÃO A MESMA COISA?

Não. Aeração é ar que entra de fora por conexão mal vedada. Cavitação é o próprio líquido virando vapor por queda de pressão. Os sintomas são parecidos, a solução é diferente.
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O QUE CONFERIR ANTES DE PARTIR?

Se há produto na sucção, se a tubulação até a bomba está cheia, e se o sistema de selagem tolera alguns segundos sem produto. Selo duplo com barreira tolera, selo simples não.

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