
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
VAZÃO E PRESSÃO NÃO BASTAM PARA COMPRAR UM VENTILADOR
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Além de vazão e pressão, a requisição precisa de tipo de ventilador e formato das pás, condição em que a vazão está declarada, temperatura, umidade, densidade, particulado, vapores, configuração de entrada e saída, material do rotor, acionamento, mancais, vedações, ruído, base antivibratória e requisitos de chaminé. A seleção acontece por exclusão, catálogo a catálogo.
Conteúdo da Aula
Chega-se ao fim do dimensionamento com dois números na mão, a vazão e a pressão diferencial, e a sensação de que o trabalho acabou. Em muitos projetos é exatamente aí que ele começa a dar errado, porque esses dois números não descrevem a máquina que a aplicação precisa.
Antes do checklist vale fixar a sequência, que é praticamente idêntica à usada em bombeamento, e essa semelhança é o que permite migrar de líquidos para gases sem reaprender o processo inteiro. Primeiro levantam-se os dados de ambiente e processo, incluindo altitude, temperatura e composição do gás. Depois verifica-se a vazão necessária, que pode vir de trocas de ar por hora, de carga térmica, de diluição de contaminantes ou de captação localizada.
Essa determinação pertence ao estudo de ventilação propriamente dito, que é uma disciplina à parte e envolve questões de norma, de segurança do trabalho e de processo. Do ponto de vista de quem dimensiona a máquina, a vazão chega como dado, vinda do projetista de ventilação ou do próprio fabricante do conjunto de captação.
Em seguida define-se a densidade de projeto, que é o que permitirá aplicar a correção pela condição real. Dimensiona-se a rede de dutos, o que significa escolher diâmetros, e levanta-se a perda de carga. Com a perda levantada, determina-se a pressão estática e a total, aplicam-se os efeitos de instalação, seleciona-se na curva do fabricante verificando onde o ponto de operação cai, e por fim percorre-se a cadeia de potência até o motor.
Observe um ponto do roteiro que tem consequência contratual e não apenas técnica. Com frequência a rede de dutos já existe e está inadequada, seja por diâmetro errado, seja por traçado com singularidades demais. Cabe a quem dimensiona levantar essa condição e registrar o apontamento formalmente para quem contratou.
O motivo é prático. Quando a instalação não entrega o esperado, a cobrança recai sobre quem projetou e sobre o fabricante do equipamento, nessa ordem, e até ficar demonstrado que a limitação estava na rede preexistente o desgaste já aconteceu. O registro prévio protege o responsável técnico e, mais importante, dá ao cliente a chance de corrigir antes de comprar a máquina.
A segunda parte é a lista do que precisa ser informado ao fornecedor. Entra o tipo de ventilador, axial ou centrífugo, e o formato das pás no caso dos centrífugos, com a escolha seguindo o serviço: para transporte pneumático de pó em baixa pressão a pá reta é mais indicada porque facilita a limpeza e reduz incrustação, e para alta pressão com menor nível de ruído o rotor tipo sirocco se encaixa melhor.
Na prática a seleção acontece por exclusão. Calcula-se a condição necessária, abrem-se os catálogos e começa-se a perceber que certos modelos não atendem, e esses saem da lista. É o mesmo método das perguntas aplicado em bombas, onde cada requisito elimina uma família de máquinas.
Entra a condição em que a vazão está declarada, padrão ou real, porque normalmente os catálogos trabalham em condição padrão mas vale conferir qual parâmetro o fabricante adotou. Entram os valores estimados de pressão total e de pressão estática, temperatura, umidade, densidade do ar ou do gás, presença e tipo de particulado, presença de vapores ou névoas.
Entra a configuração de entrada e saída, que remete diretamente ao bocal e ao cone discutidos no efeito de sistema, e o material do rotor, que depende da abrasividade e da corrosividade do que será movimentado. Entram tipo e tamanho do motor, tipo de acionamento, configuração e acesso ao invólucro, mancais, vedações, conexões flexíveis, condições de ruído, base para isolamento de vibração, proteção contra intempéries quando a máquina fica ao tempo, e requisitos de chaminé na descarga.
Note um caso pouco comum e fácil de esquecer justamente por ser raro. De modo geral se pensa em ventilação de ar, mas existem aplicações de ventilação de gases perigosos. Quando o rotor fica dentro do duto e o motor do lado de fora, o eixo atravessa a carcaça, e esse atravessamento precisa ser vedado, o que em alguns casos significa selo mecânico no ventilador. Não é comum, mas existe, e uma requisição padrão de ventilador não tem campo para isso. Isso depende da toxicidade do gás e do risco aceitável, e é requisito a ser levantado na etapa de dados, não descoberto no comissionamento.
Na prática a lista serve menos como formulário e mais como roteiro de conversa com quem vai fornecer. Um pedido que chega ao distribuidor com vazão e pressão recebe uma oferta genérica. Um pedido que chega com temperatura, densidade, particulado, acionamento e limite de ruído recebe uma oferta que pode ser comparada com outra.
Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
O QUE INFORMAR ALÉM DE VAZÃO E PRESSÃO?
Tipo de ventilador e pás, condição da vazão declarada, temperatura, umidade, densidade, particulado, vapores, entrada e saída, material do rotor, acionamento, mancais, vedações, ruído e base antivibratória.
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E SE A REDE DE DUTOS JÁ EXISTIR E ESTIVER INADEQUADA?
Levantar a condição e registrar o apontamento formalmente antes da compra. Sem esse registro a cobrança recai sobre quem projetou e sobre o fabricante da máquina.
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COMO SE SELECIONA O VENTILADOR NO CATÁLOGO?
Por exclusão. Calcula-se a condição necessária e vai-se eliminando os modelos que não atendem, o mesmo método das perguntas usado em bombas.
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VENTILADOR PODE PRECISAR DE SELO MECÂNICO?
Pode, em ventilação de gases perigosos. Com o rotor no duto e o motor fora, o eixo atravessa a carcaça e esse atravessamento precisa ser vedado. A requisição padrão não tem campo para isso.
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