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Trechos das Aulas da Pós Graduação

CORREÇÃO PELA DENSIDADE | POR QUE 625 PASCAL VIRAM 1005 NA ESPECIFICAÇÃO

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A vazão volumétrica não se corrige, porque a máquina desloca o mesmo volume por rotação independentemente da densidade. O que muda é a pressão: dividindo os 625 pascal exigidos pelo fator 0,622, chega-se a 1005. Seleciona-se um ventilador que entregue 1005 na condição padrão de catálogo, para que ele produza 625 na condição real.

Conteúdo da Aula

Um ventilador centrífugo de pás curvadas para trás entrega, segundo o catálogo, 7,3 metros cúbicos por segundo e 625 pascal. O processo precisa exatamente desses 625 pascal, e a compra parece resolvida. Só que o gás a ser movimentado está a 150 graus Celsius, e a planta fica a 900 metros de altitude. Com essa informação, comprar o ventilador de 625 pascal garante que o sistema não vai funcionar.

O princípio cabe em uma frase. Quanto maior a massa específica do gás, mais força o ventilador precisa fazer, porque há mais massa sendo empurrada. E, pelo raciocínio invertido, quanto menor a massa específica, menos pressão a máquina consegue gerar para a mesma rotação, porque a pressão depende da quantidade de moléculas deslocadas. Gás quente é rarefeito, altitude elevada também reduz a densidade, e os dois efeitos se somam neste exemplo.

Observe o primeiro ponto, que é onde mais se erra. A vazão não se corrige. Para uma mesma rotação, a máquina desloca sempre o mesmo volume por unidade de tempo, independentemente de quão denso é o gás que ocupa esse volume, e os 7,3 metros cúbicos por segundo permanecem 7,3 metros cúbicos por segundo. O que muda é a pressão, e muda bastante. Essa distinção entre vazão volumétrica constante e pressão variável é a mesma que aparece em compressores quando se discute vazão normal e vazão de operação.

O padrão adotado na ventilação é massa específica de 1,2 a 1,23 quilograma por metro cúbico, correspondente a ar ao nível do mar e cerca de 20 graus Celsius, e no sistema inglês a referência equivalente é 0,075 libra por pé cúbico a 70 graus Fahrenheit. Por definição, nessa condição o fator de correção vale um. Para 900 metros de altitude e 150 graus Celsius, o fator é 0,622.

Esse número poderia ser calculado em vez de consultado: bastaria obter a pressão atmosférica correspondente a 900 metros, aplicar a equação dos gases relacionando pressão, volume e temperatura, calcular a massa específica real e compará-la com a padrão. As tabelas existem para poupar esse trabalho em um cálculo que será repetido muitas vezes ao longo de um projeto.

A pressão equivalente é a pressão real dividida pelo fator de correção, e dividindo 625 pascal por 0,622 chega-se a aproximadamente 1005 pascal. Note qual é a leitura correta desse resultado, porque a leitura errada é intuitiva e frequente. Não se trata de dizer que o ventilador vai entregar 1005 pascal, trata-se do contrário: o processo exige 625 pascal de pressão diferencial, e se a seleção for feita procurando um ventilador cuja curva mostre 625 pascal, essa máquina, operando com gás rarefeito, vai entregar menos que isso.

O que se faz é selecionar um ventilador que, na condição padrão de catálogo, entregue cerca de 1005 pascal. Colocado na condição real, com gás quente em altitude, ele produzirá os 625 pascal necessários. A mesma lógica se aplica pela potência: quando o catálogo informa a potência de freio, a potência real na condição de operação é a de catálogo multiplicada pelo fator de correção.

Levando os dois valores para o gráfico, o efeito aparece com clareza. Entrando pela vazão de 7,3 metros cúbicos por segundo, a condição padrão coloca o ponto de trabalho pouco acima de 600 pascal, e a condição corrigida exige subir para pouco acima de 1000 pascal. A rotação sai de pouco mais de 720 rotações por minuto para algo próximo de 850 a 900, e a potência salta de pouco acima de 5,5 quilowatts para quase 11 quilowatts.

Para entregar exatamente a mesma pressão útil ao processo, a máquina precisa girar mais rápido e consumir cerca do dobro, apenas por causa da temperatura e da altitude. Observe que isso funciona como uma perda de rendimento imposta pela condição de operação, e não há arranjo de instalação que a evite, porque é consequência física da densidade do gás.

Isso depende de reconhecer um padrão que se repete em toda especificação de máquina de fluxo. A máquina é ensaiada e catalogada em uma condição de referência, a aplicação acontece em outra, e a diferença entre as duas precisa ser compensada antes da seleção, não depois. Em bombas o caso clássico é a correção pela viscosidade, em que uma bomba selecionada pela curva de água entrega menos vazão, menos altura e menos rendimento com produto viscoso. Em ventiladores o caso clássico é a correção pela densidade, e ignorá-la produz o mesmo resultado: um equipamento que atende no papel e não entrega em campo.

Repare na implicação para a etapa inicial do projeto. Para aplicar a correção é preciso conhecer a condição real de operação com razoável precisão: altitude da planta, temperatura do gás na entrada do ventilador e composição do gás, se ele não for ar. Esses três dados aparecem no checklist de especificação justamente por isso, porque não são informação de contexto, são entrada de cálculo. Um projeto que avança sem eles está assumindo condição padrão por omissão.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

A VAZÃO PRECISA SER CORRIGIDA PELA DENSIDADE?

Não. Para a mesma rotação a máquina desloca o mesmo volume por unidade de tempo, independentemente de quão denso é o gás. O que muda é a pressão.
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COMO SE APLICA O FATOR DE CORREÇÃO?

Dividindo a pressão exigida pelo fator. Com 625 pascal e fator 0,622, procura-se no catálogo um ventilador que entregue 1005 pascal na condição padrão.
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QUAL É A CONDIÇÃO PADRÃO DA VENTILAÇÃO?

Massa específica de 1,2 a 1,23 kg/m³, ar ao nível do mar a cerca de 20 graus. No sistema inglês, 0,075 lb/ft³ a 70 °F. Nessa condição o fator vale um.
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QUANTO CUSTA OPERAR COM GÁS QUENTE EM ALTITUDE?

No exemplo, a potência salta de pouco acima de 5,5 kW para quase 11 kW, e a rotação de 720 para perto de 900 rpm, para entregar a mesma pressão útil ao processo.

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