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Trechos das Aulas da Pós Graduação

CURVA DE POTÊNCIA ABSORVIDA | POR QUE ELA NÃO COMEÇA NO ZERO

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.

 

A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A curva de potência absorvida do catálogo não parte do zero porque, mesmo com a descarga fechada e vazão nula, existe uma potência mínima para recircular o fluido dentro da bomba. Esse torque depende da viscosidade do produto, e como o ensaio de catálogo é feito com água, quem bombeia polpa, óleo ou soda está lendo uma potência menor que a real. A potência hidráulica é a pressão diferencial vezes a vazão, e a potência de eixo é essa dividida pelo rendimento da bomba no ponto de operação.

Conteúdo da Aula

Quando o catálogo apresenta a curva de potência versus vazão de uma bomba centrífuga, duas potências entram na conversa e quase ninguém separa as duas. A potência hidráulica é a que de fato vai para o líquido bombeado. A potência absorvida, também chamada de potência de eixo, é a que o motor precisa entregar no eixo para que a bomba faça o trabalho. As duas se relacionam pelo rendimento, e a diferença entre elas é onde aparecem os erros que custam motor queimado e bomba selecionada errada para fluido viscoso.

Comece observando um detalhe contraintuitivo. A curva de potência absorvida não começa em zero. Mesmo com a vazão zerada, ela parte de um valor acima de zero. Para quem aprendeu só com a fórmula da potência hidráulica, que zera quando a vazão zera, isso não fecha. A razão é que, com a descarga fechada, na condição de shut-off, ainda existe uma potência mínima para recircular o fluido dentro da bomba. Existe um torque para manter o líquido em movimento dentro do rotor, e esse torque depende da viscosidade do produto.

Daí vem a primeira armadilha. O ensaio de catálogo é feito com água, inclusive em bombas de mineração. Só que a bomba de mineração real trabalha com polpa, e polpa não se comporta como água. Os fabricantes publicam fatores de correção em função da porcentagem de sólidos e do tamanho de partícula. Quem dimensiona lendo a curva da água direto, sem aplicar esses fatores, está olhando para uma potência menor que a exigida em operação.

A potência hidráulica sai da fórmula clássica, rho vezes g vezes Q vezes H, com a massa específica em kg/m³, a gravidade em m/s², a vazão em m³/s e a altura manométrica em metros. Como rho vezes g vezes H é exatamente a pressão diferencial da bomba, dá para reescrever a potência hidráulica como pressão diferencial vezes vazão. Esse jeito de olhar é mais útil em campo, porque pressão e vazão são o que se mede.

A potência de eixo se obtém dividindo a potência hidráulica pelo rendimento. Do ponto de vista de quem opera ou especifica, o caminho é calcular a potência hidráulica para a vazão e a altura de projeto, identificar qual bomba atende o ponto, ler o rendimento dela no catálogo e dividir. Para bomba padrão de água o catálogo já entrega a potência de eixo direto, porque o fabricante assumiu a massa específica da água e conhece o rendimento. Para química, petroquímica, papel e celulose ou mineração, a conta precisa ser refeita com a massa específica e a viscosidade do produto real.

O diâmetro do rotor entra na leitura. Quanto maior o rotor, maior a altura manométrica para a mesma vazão, e maior a potência necessária. No catálogo isso aparece como curvas paralelas, cada uma mais acima conforme o diâmetro cresce. Numa leitura de exemplo, para 25 m³/h o rotor de 135 mm pode não atender, o de 150 mm também não, e só o de 162 mm chega ao ponto de operação, com potência de eixo da ordem de 4 a 5 kW.

Um detalhe de compra que confunde: HP e CV não são a mesma coisa. Um cavalo vapor equivale a cerca de 0,736 kW e um horsepower a cerca de 0,746 kW. Numericamente são diferentes, mas na prática do mercado são tratados como iguais, porque a diferença de 1,3% some dentro do fator de segurança. Vale conferir qual unidade o fornecedor declarou apenas em cálculo rigoroso ou em documentação para exportação.

Vale registrar quando essa curva é pouco usada. Para quem trabalha fora de água, com polpa, óleo, soda ou fluido viscoso, ela não é a fonte da decisão: a potência de eixo é reconstruída com a massa específica e o rendimento corrigidos. Mesmo assim ela é referência obrigatória para entender o comportamento da máquina, porque é nela que fica visível por que a potência sobe com o cubo da rotação, por que aumentar o diâmetro do rotor exige motor maior e por que a curva não parte do zero.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

POR QUE A CURVA DE POTÊNCIA NÃO COMEÇA NO ZERO?

Porque na condição de shut-off, com a descarga fechada, ainda existe um torque para manter o líquido recirculando dentro do rotor. Esse consumo mínimo depende da viscosidade do produto.
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QUAL A DIFERENÇA ENTRE POTÊNCIA HIDRÁULICA E POTÊNCIA ABSORVIDA?

A hidráulica é a que chega ao líquido e vale pressão diferencial vezes vazão. A absorvida, ou de eixo, é a que o motor entrega, e sai da hidráulica dividida pelo rendimento da bomba no ponto de operação.
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POSSO USAR A CURVA DE CATÁLOGO PARA POLPA OU ÓLEO?

Não diretamente. O ensaio é feito com água, então a curva mostra potência menor que a real. Para polpa existem fatores de correção por porcentagem de sólidos e tamanho de partícula, e para fluido viscoso a conta é refeita com massa específica e rendimento corrigidos.
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HP E CV SÃO A MESMA COISA?

Numericamente não: o CV vale cerca de 0,736 kW e o HP cerca de 0,746 kW. No mercado são tratados como equivalentes, porque a diferença de 1,3% cabe dentro do fator de segurança do dimensionamento.

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