
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
COM INVERSOR, O MOTOR DOBRA | FOLGA TÉRMICA E DIMENSIONAMENTO
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Sobre a potência de eixo calculada aplica-se de 10 a 15% de folga e sobe-se para o próximo padrão comercial de motor. Quando o motor vai operar com inversor de frequência, a prática é dobrar a potência, e a razão é térmica e não elétrica: em rotação reduzida a ventoinha acoplada ao eixo ventila menos, enquanto a geração de calor continua, e o motor superaquece. A alternativa técnica é especificar ventilação forçada externa, com um motor auxiliar resfriando o principal.
Conteúdo da Aula
Calculei a potência consumida pela bomba e encontrei 17 CV. Que motor eu especifico, e quanta folga adiciono? Essa é uma das perguntas mais frequentes em sala, e a resposta só fecha depois de verificar se o motor vai operar com inversor de frequência, porque aí a regra muda de patamar.
Na prática do mercado, o fator de segurança aplicado sobre a potência de eixo calculada fica entre 10 e 15%. O motivo é concreto: o cálculo da potência hidráulica assume regime permanente, propriedades constantes do fluido e bomba nova. Em operação real existem transientes, sujeira na tubulação, deriva de viscosidade com a temperatura e perda gradual de rendimento. Esses 10 a 15% absorvem a variação.
Essa não é a única folga aplicada. Como a potência de motor segue padrão comercial, nos degraus de 15, 20, 25, 30, 40, 50, 60, 75 e 100 CV, acaba-se subindo para o próximo disponível. Numa situação clássica, calcula-se 150 CV e instala-se 175 CV. Não é um percentual escolhido, é o que existe em catálogo.
Há um critério de decisão que vale guardar: se der errado, em quem dói? É quem assinou o projeto que responde. Por isso, se a dúvida for para reduzir potência por custo, dá para reduzir com tranquilidade. Se for para aumentar, aí precisa pensar bem, e é melhor sobrar.
Com inversor de frequência, a regra deixa de ser percentual. O motor precisa ser dimensionado com o dobro da potência, e o motivo não é elétrico, é térmico. O motor elétrico padrão se refrigera por uma ventoinha acoplada ao próprio eixo. Operando com inversor em rotação reduzida, a potência consumida cai, mas a geração de calor continua na mesma faixa, e a ventoinha, girando devagar, ventila menos. O resultado é superaquecimento. A alternativa é especificar ventilação forçada externa, com um motor auxiliar resfriando o principal, que sai mais caro que simplesmente dobrar a potência do motor principal.
Daí decorre um cuidado que aparece direto em diagnóstico de planta. A bomba perdeu vazão com o tempo, está desgastada, e alguém sugere aumentar a rotação para compensar. A potência da bomba centrífuga sobe com o cubo da rotação, ou seja, dobrar a rotação multiplica a potência exigida por oito. Num caso real, a produção reclamava que a bomba não entregava vazão, e a solução adotada foi aumentar a rotação pela polia. Funcionou, com a recomendação de ir devagar para não sobreaquecer o motor, mas num ajuste maior o consumo de corrente dispararia e o motor queimaria. Aumentar rotação em bomba desgastada resolve o sintoma e antecipa o fim de vida da máquina inteira.
Vale um caso que mostra o peso do rendimento nessa decisão. Uma bomba submersível de 5 CV atendia um serviço de baixa vazão numa planta, e o melhor ponto de eficiência dela era de 35%. Na melhor condição possível, portanto, consumia 5 CV no motor e entregava cerca de 1,75 CV ao fluido. O restante virava calor, vibração, desgaste e conta de energia. Fora do BEP, em vazão mais baixa, o rendimento caía para a faixa de 15 a 20%. Reavaliado o sistema, uma autoescorvante de 2 CV faria o mesmo trabalho, porque a potência hidráulica exigida era da ordem de 0,7 CV.
A sequência de projeto, então, é direta. Calcular a potência hidráulica a partir da vazão e da altura manométrica, dividir pelo rendimento de catálogo para obter a potência de eixo, acrescentar de 10 a 15% de folga, subir para o próximo padrão comercial e, havendo inversor de frequência, dobrar o resultado.
Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
QUANTA FOLGA SE APLICA NO MOTOR DA BOMBA?
De 10 a 15% sobre a potência de eixo calculada, e depois sobe-se para o próximo padrão comercial disponível. A folga cobre transiente, sujeira na linha, deriva de viscosidade e perda de rendimento com o tempo.
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POR QUE O MOTOR DOBRA QUANDO TEM INVERSOR?
Porque a razão é térmica. Em rotação reduzida a ventoinha acoplada ao eixo ventila menos, enquanto a geração de calor continua, e o motor superaquece. Dobrar a potência dá a folga térmica necessária.
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EXISTE ALTERNATIVA A DOBRAR O MOTOR?
Sim, especificar ventilação forçada externa, com um motor auxiliar resfriando o principal independentemente da rotação. Costuma sair mais caro que dobrar a potência do motor principal.
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POSSO AUMENTAR A ROTAÇÃO DE UMA BOMBA DESGASTADA?
É medida paliativa e arriscada. A potência sobe com o cubo da rotação, então um aumento pequeno já eleva muito a corrente. Resolve o sintoma e antecipa o fim de vida do conjunto.





