
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
REDUZIR 20% DA ROTAÇÃO CORTA METADE DA POTÊNCIA | VENTILADOR
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.
A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Num ventilador que entrega 12 m³/s a 900 Pa absorvendo 15,5 kW, reduzir a vazão para 9,6 m³/s significa rotação de 80%. A pressão cai para 576 Pa, pelo quadrado, e a potência de eixo cai para 7,9 kW, pelo cubo. Vinte por cento de rotação a menos derrubam a potência para praticamente metade.
Conteúdo da Aula
Tome um ventilador que entrega 12 m³/s, a uma pressão de 900 Pa, absorvendo 15,5 kW de potência de eixo. O processo passa a exigir 9,6 m³/s. O que acontece com o resto da máquina?
A relação de vazão é igual à relação de rotação. Dividindo 9,6 por 12, chega-se a 0,8: a rotação precisa cair para 80% da original. A pressão varia com o quadrado dessa relação, ou seja, 900 vezes 0,8 ao quadrado, o que dá 576 Pa. E a potência de eixo varia com o cubo: 15,5 vezes 0,8 ao cubo, o que dá 7,9 kW. A rotação foi reduzida em 20% e a potência caiu para praticamente metade. É o expoente 3 fazendo esse trabalho.
Reduzir é tranquilo. O caminho inverso é o que traz problema. Suponha que o ventilador esteja especificado para 9,6 m³/s e a produção peça 12 m³/s. A conta roda ao contrário: a potência sai de 7,9 kW e vai para 15,5 kW. Traduzindo para motor, algo próximo de 10 cv passa a exigir algo próximo de 20 cv, o que significa trocar o acionamento. Ninguém superdimensiona motor a esse ponto: a folga típica de especificação fica entre 20% e 30%, não em 100%. Por isso, antes de atender a uma demanda de aumento de vazão, a primeira verificação não é o ventilador, é o motor.
Existe, porém, uma situação em que se encontra um motor com o dobro da potência calculada, e não é engano. Acontece quando o sistema tem inversor de frequência. Dependendo do nível de redução de rotação que o inversor promove, o resfriamento do motor fica comprometido: o ventilador de arrefecimento é acoplado ao próprio eixo, e se o eixo gira devagar, ele gira devagar junto, justamente quando a máquina ainda está trabalhando.
A recomendação de fabricante nesse caso é resfriamento forçado, com motor auxiliar e ventoinha independente da rotação principal. Funciona, mas é caro e não é padrão. A alternativa que o pessoal da elétrica costuma adotar é dobrar a potência do motor: se a conta deu 10 cv, especifica-se 20 cv.
A razão está no efeito Joule. O aquecimento depende da corrente e da bitola do condutor. Um motor de 20 cv tem enrolamento com fio de bitola maior que um de 10 cv. Quando ele trabalha entregando a potência de um motor de 10 cv, a corrente é baixa para aquele condutor, e ele gera menos calor. E a conta econômica fecha: o motor maior sai mais barato do que o motor menor acrescido de ventilação forçada.
Na prática, é solução de mercado bastante comum em acionamentos com inversor. Ao encontrar um motor aparentemente superdimensionado nesse contexto, vale considerar essa hipótese antes de concluir que houve erro de projeto.
Na leitura integrada da planta, o tema pertence à dimensão de especificação e conecta com máquina e instalação. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
COMO A POTÊNCIA DO VENTILADOR MUDA COM A ROTAÇÃO?
Pelo cubo da relação de rotação. Reduzindo a rotação para 80%, a potência de eixo cai para cerca de 51% do valor original. A pressão, por sua vez, cai pelo quadrado, indo para 64%, e a vazão cai proporcionalmente.
______________________________
POR QUE AUMENTAR A VAZÃO EXIGE TROCAR O MOTOR?
Porque a potência cresce pelo cubo. Sair de 9,6 para 12 m³/s leva a potência de 7,9 kW para 15,5 kW, o que significa passar de um motor de cerca de 10 cv para um de 20 cv. A folga típica de especificação é de 20% a 30%, não de 100%.
______________________________
POR QUE A ELÉTRICA ESPECIFICA MOTOR DOBRADO COM INVERSOR?
Porque em rotação baixa o ventilador de arrefecimento do próprio motor gira devagar e o resfriamento fica comprometido. Um motor maior tem enrolamento com fio de bitola maior e, entregando a mesma potência, gera menos calor por efeito Joule.
______________________________
O QUE É VENTILAÇÃO FORÇADA EM MOTOR ELÉTRICO?
É um sistema de resfriamento com motor auxiliar e ventoinha independente da rotação do motor principal. Resolve o problema do resfriamento em rotação baixa, mas é caro e não é padrão, o que faz o mercado preferir dobrar a potência do motor.
Aulas Relacionadas
LEIS DE SEMELHANÇA E AFINIDADE | COMO SE PROJETA UMA TURBINA GIGANTE
Ninguém constrói uma turbina de 8 metros de diâmetro para descobrir se ela funciona. Ensaia-se um modelo pequeno e transportam-se os resultados pelas leis de semelhança, que são as mesmas relações usadas na usinagem de rotor de bomba e no ajuste de rotação de ventilador.





