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Trechos das Aulas da Pós Graduação

O ERRO DE UNIDADE QUE ENTREGA UM NÚMERO PLAUSÍVEL

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.

 

A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A conversão tratou um valor em metro cúbico por minuto como se estivesse em metro cúbico por hora, dividindo por 3600 em vez de 60. A conta rodou, o diâmetro saiu em milímetros, e o que denunciou foi a ordem de grandeza. Três defesas funcionam: anotar a unidade ao lado de cada valor, estimar o resultado esperado antes de calcular e fazer a análise dimensional.

Conteúdo da Aula

Existe uma categoria de erro de cálculo que não produz alarme nenhum. A planilha não acusa, a calculadora não reclama, a fórmula aceita. O resultado aparece, com a unidade certa, na ordem de grandeza aproximada do esperado, e segue adiante para a etapa seguinte. O erro de unidade é o exemplo mais comum disso em dimensionamento de rede de ar comprimido.

No cálculo do diâmetro a partir da velocidade recomendada, a vazão precisa estar em metro cúbico por segundo. O dado disponível na planilha estava em metro cúbico por minuto, e a conversão feita no momento tratou o valor como se estivesse em metro cúbico por hora, dividindo por três mil e seiscentos em vez de por sessenta. A conta rodou, a raiz quadrada aceitou, o diâmetro apareceu.

O que denunciou não foi a fórmula, foi o resultado ter ficado estranho em relação ao que se espera de uma rede industrial. Uma inspeção na ordem de grandeza levou de volta à conversão, e a partir dali o erro ficou evidente.

Erro de digitação costuma se revelar: se alguém troca um sete por um setenta, o resultado explode e chama atenção. Erro de unidade não se comporta assim, porque ele multiplica ou divide por um fator fixo, e se esse fator não for absurdo o resultado continua parecendo razoável. Um diâmetro sessenta vezes maior sai de milímetros para milímetros ainda, só que num valor que uma rede grande poderia ter. Note que essa é a característica que torna o erro perigoso: ele passa por revisão, porque quem confere refaz a mesma conta com a mesma premissa errada.

Reconferir a digitação não resolve, porque o problema não está na digitação. Três práticas funcionam melhor. A primeira é anotar a unidade ao lado de cada valor, em todas as etapas, mesmo quando parece óbvio, porque o custo é baixo e a incompatibilidade aparece visualmente antes de entrar na fórmula. A segunda é estimar a ordem de grandeza esperada antes de calcular, já que com uma referência na cabeça um desvio de fator sessenta salta aos olhos. A terceira é fazer a análise dimensional da expressão, porque se as unidades do lado direito não resultam na unidade do lado esquerdo há erro independentemente dos números.

Há uma escolha pedagógica envolvida aqui que vale explicitar. Seria perfeitamente possível preparar a planilha antes da aula, com todas as conversões já feitas e conferidas, e apresentar a sequência sem tropeço, e o resultado seria uma apresentação limpa e uma aula pior. Quando tudo já está pronto, o aluno vê a resposta e não vê o caminho, e não descobre onde o cálculo falha com facilidade, porque naquela apresentação ele não falhou em lugar nenhum.

Observe que o valor do erro ao vivo não está no erro em si. Está em mostrar o que fez perceber: o número estranho, a volta à premissa, a identificação da unidade trocada. Esse procedimento de detecção é o que se leva para o trabalho.

A conversão de vazão não é o único lugar onde isso aparece. Pressão aparece em bar, em quilopascal e em libra por polegada quadrada, às vezes no mesmo catálogo. Vazão aparece em pé cúbico por minuto, litro por segundo, metro cúbico por hora e por minuto. Temperatura aparece em grau Celsius e em Fahrenheit, principalmente em material de origem americana. Isso depende da origem do documento consultado, e num projeto real se consulta documento de várias origens. Repare que a mistura não está no projetista, está no mercado.

Existe uma crença de que migrar o cálculo para planilha resolve o problema de unidade. Resolve em parte e cria outro. A planilha elimina o erro de conversão repetida, porque a fórmula é escrita uma vez e aplicada a todas as linhas, e em compensação ela esconde a conversão dentro da célula, e quem usa a planilha meses depois não enxerga qual unidade cada coluna espera.

O resultado é que o erro deixa de acontecer no cálculo e passa a acontecer na alimentação do dado: alguém cola um valor em metro cúbico por hora numa coluna que espera metro cúbico por minuto, e a planilha processa sem reclamar. Isso depende de disciplina de cabeçalho, e uma coluna nomeada com a unidade explícita evita a maior parte desses casos, a um custo de segundos.

No contexto de uma aula, o erro de unidade é corrigido em um minuto e vira aprendizado. Em projeto, ele atravessa etapas: o diâmetro errado vai para a lista de material, a lista vai para a cotação, a cotação vira pedido de compra, e quando o tubo chega na obra mudar significa refazer compra, cronograma e, dependendo do caso, suporte estrutural. Observe que o erro em si permanece do mesmo tamanho, e o que cresce é a distância entre o momento em que ele foi cometido e o momento em que foi descoberto. É essa distância que define o custo.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

POR QUE O ERRO DE UNIDADE ATRAVESSA A REVISÃO?

Porque ele multiplica por um fator fixo e o resultado continua plausível. E quem confere refaz a mesma conta com a mesma premissa errada, chegando ao mesmo número.
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COMO SE DEFENDER DESSE ERRO?

Anotando a unidade ao lado de cada valor, estimando a ordem de grandeza antes de calcular e fazendo a análise dimensional da expressão. Reconferir a digitação não resolve.
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PLANILHA RESOLVE O PROBLEMA DE UNIDADE?

Em parte, e cria outro. A fórmula é escrita uma vez, mas a conversão fica escondida na célula, e o erro migra do cálculo para a alimentação do dado.
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POR QUE O CUSTO DO ERRO CRESCE COM O TEMPO?

Porque o erro em si não muda de tamanho, o que cresce é a distância até a descoberta. Em obra, mudar o diâmetro significa refazer compra, cronograma e suporte.

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