
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
INOX 304 OU 316 | O PREN E A CORROSÃO POR PITE
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.
A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

No inox, a resistência vem da camada passiva de óxido de cromo que se forma na superfície, e quando o cloreto rompe essa camada localmente começa a corrosão por pite, que fura o metal de dentro para fora. O índice que mede essa resistência é o PREN: o 304 fica perto de 18, o 316 perto de 24 e o superduplex passa de 40. Por isso um 316 em água do mar dificilmente passa de 5 a 10 anos de vida útil, enquanto superduplex ou cuproníquel ultrapassam 25.
Conteúdo da Aula
O inox não resiste à corrosão por ser inerte. A resistência vem de uma camada passiva de óxido de cromo que se forma espontaneamente na superfície quando o material tem cromo suficiente e há oxigênio disponível. É essa película, de espessura microscópica, que protege o metal abaixo.
O problema começa quando alguma coisa rompe essa camada localmente e impede que ela se regenere. O agente mais comum na indústria é o cloreto. Ele ataca pontos específicos da superfície, e ali, sem a proteção, o metal começa a ser consumido. O resultado é a corrosão por pite: furos que avançam de dentro para fora, pequenos na superfície e grandes embaixo, e que por isso passam despercebidos em inspeção visual até furar a parede.
O índice que mede essa resistência é o PREN, o número equivalente de resistência ao pite, calculado a partir dos teores de cromo, molibdênio e nitrogênio da liga. Os valores dão a escala com clareza: o inox 304 fica perto de dezoito, o 316 perto de vinte e quatro, e o superduplex passa de quarenta.
A tradução disso em vida útil é direta. Um inox 316 em água do mar dificilmente passa de cinco a dez anos, enquanto superduplex ou cuproníquel ultrapassam vinte e cinco anos no mesmo serviço. A diferença de preço entre as ligas, olhada sozinha, parece grande. Olhada contra o ciclo de substituição, muda de figura.
A regra prática que orienta a escolha é objetiva: cloreto acima de duzentos ppm, ou acima de cinquenta ppm com temperatura acima de sessenta graus, já pede material com PREN acima de quarenta. A temperatura entra na conta porque acelera o ataque e dificulta a repassivação da camada protetora.
Entre o 304 e o 316, a diferença está principalmente no molibdênio, presente no 316 e ausente no 304, e é ele que empurra o PREN para cima. Em água potável, em muitos alimentos e em ambiente seco, o 304 resolve. Em presença de cloreto, em água salobra, em produto clorado e em muitos processos químicos, o 316 é o mínimo, e às vezes nem ele basta.
O resumo que fecha o assunto é desconfortável e útil: inox não é tão inox assim quando o ambiente é agressivo. Especificar inox sem declarar qual, e sem olhar o teor de cloreto e a temperatura do serviço, é escolher pelo nome e não pelo material. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
DE ONDE VEM A RESISTÊNCIA DO INOX?
De uma camada passiva de óxido de cromo que se forma na superfície. Não é inércia do metal: é uma película protetora que precisa de cromo e de oxigênio para existir e se regenerar.
______________________________
O QUE É CORROSÃO POR PITE?
É o ataque localizado que começa onde o cloreto rompe a camada passiva. Fura de dentro para fora, pequeno na superfície e grande embaixo, e escapa da inspeção visual.
______________________________
QUANTO VALE O PREN DE CADA LIGA?
O 304 fica perto de 18, o 316 perto de 24 e o superduplex passa de 40. É calculado a partir dos teores de cromo, molibdênio e nitrogênio.
______________________________
QUANDO MIGRAR PARA PREN ACIMA DE 40?
Com cloreto acima de 200 ppm, ou acima de 50 ppm quando a temperatura passa de 60 graus. A temperatura acelera o ataque e dificulta a repassivação.





