
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
CLASSE ZERO E TRATAMENTO NO PONTO DE USO | COMO NÃO FILTRAR A PLANTA INTEIRA
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A classe zero da ISO 8573-1 não é uma faixa fixa, é definida pelo próprio usuário para exigências mais rigorosas que as da classe um, e obriga a declarar o valor adotado. E como a exigência varia por aplicação, costuma compensar tratar o ar num nível geral adequado à maioria dos usos e acrescentar tratamento local onde a exigência é maior.
Conteúdo da Aula
A frase soa provocativa, mas é a leitura correta da norma que classifica qualidade de ar comprimido. A ISO 8573-1 não estabelece um padrão de excelência a ser perseguido por todos, ela oferece uma linguagem para dizer qual ar cada aplicação precisa, e isso muda a forma de especificar.
A norma classifica o ar comprimido por três parâmetros tratados separadamente: partícula sólida, água e óleo. Separadamente é a palavra importante, porque um sistema pode entregar ar muito limpo de partículas e relativamente carregado de vapor, ou o contrário. Não existe uma nota única de qualidade, a especificação completa é uma combinação de três classes, uma para cada parâmetro.
Cada parâmetro tem sua própria escala. Para partícula, a classificação considera concentração ou contagem por faixa de tamanho. Para água, o critério é o ponto de orvalho sob pressão. Para óleo, é a concentração em massa por volume de ar. Note que isso já responde uma pergunta comum em cotação: pedir ar classe 1 sem dizer de quê é uma especificação incompleta.
Há um detalhe da norma que costuma passar despercebido e que é justamente o que dá flexibilidade a quem especifica. Além das classes numeradas existe a classe zero, que não é uma faixa fixa definida pela norma: é definida pelo próprio usuário, para exigências mais rigorosas que as da classe um. Na prática é o mecanismo formal para dizer que a aplicação precisa de algo além do que a escala padrão cobre, sem sair da norma, e setores farmacêutico, eletrônico e alimentício usam isso quando o requisito de processo é mais severo que o degrau mais exigente da tabela. Observe que classe zero obriga a declarar o valor adotado: ela não significa ar perfeito, significa ar especificado pelo usuário com critério explícito.
A norma classifica, mas não diz qual classe cada aplicação precisa. Essa correspondência vem da prática e da especificação do equipamento de destino. Ferramenta pneumática industrial convive bem com partículas de até 20 micrômetros, uso tolerante em que excesso de filtragem só adiciona perda de carga e custo de reposição. Indústria alimentícia está no outro extremo no quesito óleo, com limite na ordem de 0,003 miligramas por metro cúbico, número restritivo o suficiente para influenciar a escolha do compressor e não apenas da linha de filtragem. Ar de respiração tem exigência própria, que extrapola a classificação industrial comum.
Com as referências acima em mãos, ainda existe uma regra que vale mais que todas elas: o que define a qualidade necessária é a especificação técnica do fabricante do equipamento que vai receber o ar. Um atuador, um instrumento, uma válvula de controle ou uma máquina de envase trazem no manual o requisito de ar de alimentação, e esse documento é a fonte primária, porque é ele que sustenta garantia e responsabilidade técnica.
Na prática a sequência correta de especificação é levantar os requisitos dos equipamentos consumidores, identificar o mais exigente de cada parâmetro, traduzir isso em classes da ISO 8573-1 e só então dimensionar a linha de tratamento. Isso depende de alguém ter feito esse levantamento, e é comum que a planta tenha crescido por agregação, com equipamentos de épocas diferentes, e que ninguém tenha consolidado os requisitos. Nesse caso o sistema de tratamento foi dimensionado para o que existia no começo.
Duas consequências fecham o raciocínio. A primeira é que sobredimensionar tratamento tem custo, não só investimento, porque filtragem mais fechada significa mais perda de carga, mais consumo de energia no compressor e mais reposição de elemento. A segunda é que subdimensionar tem custo maior e menos visível, porque aparece como problema de produto ou de equipamento, raramente diagnosticado como qualidade de ar.
Há uma decisão de arquitetura que decorre diretamente da lógica da norma e que costuma render economia relevante. Como a exigência varia por aplicação, não faz sentido tratar todo o ar da planta no padrão do consumidor mais exigente, porque isso significaria aplicar a filtragem mais severa, com a maior perda de carga e o maior custo de reposição, a cem por cento da vazão, para atender uma fração dela.
A alternativa é tratar o ar em um nível geral adequado à maioria dos usos e acrescentar tratamento local, no ponto de uso, onde a exigência é maior. Um elemento fino ou de carvão ativado instalado junto ao equipamento sensível custa pouco e trata apenas a vazão daquele ramal. Na prática isso inverte a pergunta de projeto: em vez de perguntar qual a melhor qualidade de ar que a planta pode ter, pergunta-se qual o perfil de exigência de cada área e onde vale concentrar o tratamento.
Observe que essa decisão também afeta a confiabilidade, porque tratamento local cria redundância natural: se o estágio central degrada, o ponto crítico ainda tem uma barreira própria antes do equipamento sensível. Isso depende de haver poucos pontos muito exigentes, porque se metade da planta exige classe alta, centralizar volta a fazer sentido.
Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
O QUE É A CLASSE ZERO DA ISO 8573-1?
É a classe definida pelo próprio usuário, para exigências mais rigorosas que as da classe um. Ela obriga a declarar o valor adotado, então não significa ar perfeito, significa critério explícito.
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VALE TRATAR TODO O AR DA PLANTA NO PADRÃO MAIS ALTO?
Só se metade da planta exigir classe alta. Caso contrário é aplicar a maior perda de carga e o maior custo de reposição a 100% da vazão para atender uma fração dela.
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QUEM DEFINE A CLASSE NECESSÁRIA?
A especificação técnica do fabricante do equipamento que vai receber o ar. É esse documento que sustenta garantia e responsabilidade técnica, e é a fonte primária do levantamento.
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QUAL O LIMITE DE ÓLEO NA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA?
Da ordem de 0,003 miligramas por metro cúbico. É restritivo o suficiente para influenciar a escolha do compressor, e não apenas da linha de filtragem.





