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Trechos das Aulas da Pós Graduação

EM GÁS, A PERDA DE CARGA CHAMADA DE MENOR É JUSTAMENTE A MAIOR

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Em sistema de bombeamento de 80 a 90% da perda é distribuída, no tubo reto, e daí vem a nomenclatura major e minor losses. Em gás, pela viscosidade baixa, a parcela de atrito despenca enquanto a de separação permanece, e são os acessórios que dominam. Reduzir comprimento de duto rende pouco, reduzir curvas e suavizar transições rende muito.

Conteúdo da Aula

Quem aprendeu perda de carga estudando bombas carrega uma intuição que atrapalha ao dimensionar sistema de ventilação. A proporção entre os dois tipos de perda se inverte quando o fluido é gás, e essa inversão muda onde vale a pena atuar no projeto.

Antes da comparação, vale estabelecer de onde vem a pressão requerida do ventilador. Aplicando a equação da energia ao sistema, com duas simplificações válidas em ventilação, chega-se a um resultado direto. As simplificações são escoamento incompressível, o que vale porque o ventilador opera abaixo da taxa de compressão de 1,1, e velocidades nulas nas duas extremidades, considerando que o ar parte do repouso e retorna ao repouso. Com isso, a pressão total do ventilador equivale ao somatório das perdas de carga do sistema.

Note o que esse resultado significa na prática: dimensionar ventilador é calcular perda de carga ao longo do traçado do duto. Não há outro termo relevante, e toda a dificuldade do dimensionamento se concentra nesse cálculo.

Perda de carga se divide em duas parcelas. A distribuída, que ocorre ao longo do tubo reto por atrito com a parede, e a localizada, que ocorre em curvas, cotovelos, transições, derivações e acessórios. Em sistema de bombeamento, de 80 a 90% da perda é distribuída, o tubo reto domina, e daí a nomenclatura consagrada em inglês: major losses para as distribuídas, minor losses para as localizadas.

Em gás, pela baixa viscosidade, acontece o oposto. A perda ao longo do duto reto é pequena, e são os componentes localizados que dominam o cálculo. Ou seja, a perda chamada de menor é justamente a maior. A nomenclatura, criada na experiência com líquidos, induz ao erro quando aplicada a gases.

A consequência prática é objetiva e muda prioridade de trabalho. Em sistema de ventilação, reduzir comprimento de duto reto rende pouco, enquanto reduzir o número de curvas, suavizar transições e evitar derivações desnecessárias rende muito. Na prática, um traçado mais longo com menos acessórios pode ter perda total menor que um traçado curto cheio de cotovelos, o que é contraintuitivo para quem está acostumado a otimizar comprimento de linha.

Observe também o efeito no diagnóstico. Quando um sistema de exaustão não atinge a vazão de projeto, procurar obstrução no duto reto costuma ser perda de tempo, porque o ganho está nos acessórios, nas conexões mal executadas e nos trechos de duto flexível.

Vale delimitar o escopo. O objetivo aqui é dimensionar a máquina, ventilador, compressor ou soprador, e não projetar a instalação completa de ventilação, nem dimensionar sistema de captação de fumos de soldagem, que são disciplinas próprias com normas próprias. Essa delimitação diz que o método serve para chegar ao equipamento correto a partir de uma instalação já definida, que é exatamente o cenário mais comum na indústria, em que o traçado já existe e a tarefa é especificar ou substituir a máquina.

Em todo o procedimento, a grandeza que serve de referência é a pressão dinâmica. Cada acessório tem um coeficiente que, multiplicado pela pressão dinâmica do trecho, fornece a perda daquele componente, e o método é padronizado a partir de instalações pré-definidas, com tabelas de coeficientes levantadas experimentalmente. Na prática isso torna o cálculo acessível, porque não é preciso resolver escoamento em cada curva, basta identificar o acessório, buscar o coeficiente e aplicar sobre a pressão dinâmica daquele trecho.

Vale entender a razão física da inversão, porque ela ajuda a lembrar o resultado sem decorar. A perda distribuída nasce do atrito entre o fluido e a parede do tubo, e esse atrito depende da viscosidade, sendo que a água tem viscosidade cerca de cinquenta vezes maior que a do ar em condições normais. As perdas localizadas têm outra origem: vêm da separação do escoamento, da formação de vórtices e da dissipação turbulenta quando o fluido muda de direção ou de seção, mecanismo que depende muito mais da inércia que da viscosidade. Em gás, a parcela de atrito despenca enquanto a de separação permanece.

Observe que isso também explica por que suavizar curvas rende tanto em ventilação, porque curva de raio longo reduz a separação do escoamento, que é justamente o mecanismo dominante. Em sistema de bombeamento o mesmo cuidado traz ganho bem menor.

Fechando com a aplicação prática, a inversão de proporção reordena a lista de ações quando um sistema de ventilação está abaixo do projeto. A primeira verificação não é o comprimento do duto, é a contagem de acessórios: quantas curvas existem, com que raio, quantas transições, quantas derivações e quantos metros de flexível. A segunda é a qualidade de execução dessas peças, porque curva montada com raio apertado, transição brusca e emenda mal alinhada criam perda que não aparece em planilha nenhuma. A terceira é a região imediatamente após o ventilador. Em boa parte dos casos de vazão insuficiente, trocar duas curvas de raio curto por raio longo e cinco metros de flexível por rígido recupera mais vazão que aumentar o ventilador, e a um custo muito menor.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

POR QUE A PERDA LOCALIZADA DOMINA EM GÁS?

Porque ela vem da separação do escoamento e da turbulência, que dependem da inércia. A distribuída vem do atrito com a parede, que depende da viscosidade, e a do ar é cerca de cinquenta vezes menor que a da água.
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O QUE É MAIS EFICAZ, ENCURTAR O DUTO OU TIRAR CURVAS?

Tirar curvas. Um traçado mais longo com menos acessórios pode ter perda total menor que um traçado curto cheio de cotovelos.
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COMO SE CALCULA A PRESSÃO REQUERIDA DO VENTILADOR?

Ela equivale ao somatório das perdas de carga do sistema, assumindo escoamento incompressível e velocidades nulas nas extremidades. Não há outro termo relevante.
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ONDE OLHAR QUANDO A EXAUSTÃO NÃO ENTREGA?

Na contagem e na execução dos acessórios, não no duto reto. Curva de raio apertado, transição brusca, emenda mal alinhada e flexível longo criam perda que não aparece na planilha.

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