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Trechos das Aulas da Pós Graduação

PRESSÃO TOTAL E ESTÁTICA DO VENTILADOR | A ISO 5802 DEFINE DIFERENTE

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.

 

A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A ISO 5802 define a pressão dinâmica do ventilador pela vazão em massa, densidade na saída e área da máquina, e essa não é a pressão dinâmica da instalação, calculada com a velocidade real no duto. As duas usam o mesmo nome e divergem sempre que a boca do ventilador e o duto não têm a mesma área.

Conteúdo da Aula

Especificar ventilador exige dizer qual pressão a máquina precisa entregar. Parece trivial, mas existem definições distintas convivendo, e pedir a pressão errada é um dos erros mais comuns em cotação de sistema de ventilação.

Vale começar por um resultado que simplifica muito o cálculo e que não é óbvio. Em sistema de ventilação com ar, a diferença de altura entre entrada e saída pode ser desprezada: mesmo em um edifício, com descarga a 50 metros de altura, não é necessário calcular coluna hidrostática. O motivo é que a variação da massa específica do ar com a altura compensa o efeito da coluna, os dois termos se cancelam, e o sistema pode ser dimensionado considerando apenas as perdas de carga ao longo do percurso.

Note o contraste com líquido, em que desnível é parcela dominante da altura manométrica. Quem traz o hábito de bombas tende a procurar o termo de elevação e a gastar tempo com ele sem necessidade.

A pressão dinâmica é a parcela associada à velocidade do escoamento, calculada pela massa específica multiplicada pela velocidade ao quadrado, dividida por dois, com resultado em pascal no sistema internacional. Como depende do quadrado da velocidade, ela é sensível a mudança de seção: qualquer transição no duto altera a velocidade e, com ela, a pressão dinâmica daquele trecho. Por isso o cálculo de perda de carga precisa ser feito trecho a trecho, e não com uma velocidade média para o sistema inteiro.

Aqui está a fonte de erro mais frequente. A norma ISO 5802 define a pressão dinâmica do ventilador a partir da vazão em massa, da densidade na saída e da área da máquina, e essa é a pressão dinâmica do ventilador. Ela não é a mesma coisa que a pressão dinâmica da instalação, calculada com a velocidade real do escoamento no duto.

As duas usam o mesmo nome e representam grandezas diferentes, porque a área de referência é diferente: a da boca da máquina em um caso, a da seção do duto no outro. Quando a saída do ventilador e o duto não têm a mesma área, os valores divergem. Na prática, confundir as duas leva a somar ou subtrair parcelas erradas na composição da pressão requerida, e o erro aparece como vazão abaixo do esperado depois de instalado.

A pressão total do ventilador é a diferença entre a pressão de estagnação na saída e a pressão de estagnação na entrada, e representa toda a energia que a máquina entrega ao escoamento. A pressão estática é obtida descontando a parcela dinâmica, e é o valor que aparece com mais frequência em catálogo comercial, justamente porque é menor.

Observe a implicação comercial disso. Comparar a pressão estática de um fornecedor com a pressão total de outro faz a primeira máquina parecer mais fraca do que é, ou a segunda parecer mais forte. A comparação só vale entre grandezas iguais, e o documento nem sempre deixa claro qual está sendo informada. Quando houver dúvida, perguntar explicitamente se o valor é total ou estático, e em que norma a medição foi feita, resolve antes que vire problema.

Para verificar o que está acontecendo na instalação, o instrumento clássico continua sendo o tubo de Pitot. Ele mede a pressão de estagnação e a pressão estática no mesmo ponto, e a diferença entre as duas é a pressão dinâmica, da qual se extrai a velocidade do escoamento. Com a velocidade e a área da seção, chega-se à vazão. Na prática é assim que se confere se o sistema está entregando a vazão de projeto, sem depender do que a curva do fabricante promete, e em comissionamento essa medição vale mais que qualquer declaração de catálogo.

Uma pergunta que costuma aparecer quando se fala em manômetro em U nesse contexto é por que a referência é água e não mercúrio, como em medições de vácuo. A resposta está na ordem de grandeza: ventilador trabalha com pressões baixas, na casa de centenas a poucos milhares de pascal, e com mercúrio, que tem densidade muito maior, o deslocamento da coluna seria tão pequeno que a leitura perderia resolução. A água, por ser bem menos densa, produz deslocamento grande para a mesma diferença de pressão, o que dá sensibilidade à medição.

É por esse motivo que a unidade milímetro de coluna de água se consagrou em ventilação, e não por tradição arbitrária: a unidade acompanha o instrumento que faz sentido usar. Na prática, ao conversar com fornecedor ou ler documentação antiga, vale estar confortável transitando entre milímetros de coluna de água, pascal e, ocasionalmente, polegadas de coluna de água em material de origem americana. A conversão é direta, mas misturar unidades em uma mesma planilha é fonte conhecida de erro de ordem de grandeza.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

PRESSÃO DINÂMICA DO VENTILADOR É A MESMA DA INSTALAÇÃO?

Não. A ISO 5802 calcula a do ventilador pela área da máquina, e a da instalação usa a velocidade real no duto. Quando as áreas diferem, os valores divergem.
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PRECISO CALCULAR A COLUNA DE AR EM PRÉDIO ALTO?

Não. A variação da massa específica do ar com a altura compensa o efeito da coluna, e os dois termos se cancelam. Basta somar as perdas de carga do percurso.
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POR QUE O CATÁLOGO INFORMA PRESSÃO ESTÁTICA?

Porque é o valor menor, obtido descontando a parcela dinâmica da pressão total. Comparar a estática de um fornecedor com a total de outro distorce a comparação.
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POR QUE COLUNA DE ÁGUA E NÃO MERCÚRIO?

Por resolução de leitura. Nas pressões baixas de ventilação, o mercúrio deslocaria uma coluna pequena demais, enquanto a água, menos densa, dá deslocamento grande e sensibilidade.

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