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Trechos das Aulas da Pós Graduação

NÃO EXISTE AR DE BOA QUALIDADE | EXISTE AR ADEQUADO À APLICAÇÃO

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.

 

A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

A ISO 8573-1 não classifica o ar como bom ou ruim, define classes em três eixos independentes: água, óleo e tamanho de partícula. Um sistema é descrito por uma combinação, algo como classe 1.3.2, e dá para exigir rigor em um eixo e folga em outro. Especificar tudo no nível máximo é desperdício, porque cada nível significa mais equipamento e mais perda de carga.

Conteúdo da Aula

A conversa sobre ar comprimido costuma girar em torno de adjetivos. Ar limpo, ar de qualidade, ar tratado. Existe uma norma que substitui todos eles por três números verificáveis, e entender como ela funciona muda a forma de comprar.

A ISO 8573-1 é a norma que organiza o assunto, e o primeiro ponto é o que ela não faz. Ela não classifica o ar como bom ou ruim, ela define classes, e o ar é adequado ou inadequado para uma aplicação. Não existe, portanto, ar de boa qualidade em abstrato. Existe ar que serve para pintura, ar que serve para instrumentação, ar que serve para respiração, exigências diferentes com classes diferentes.

A classificação trabalha com três eixos, e a independência entre eles é o que a torna útil: presença de água, presença de óleo e tamanho de partícula. Cada eixo recebe sua própria classe, e um sistema é descrito por uma combinação, algo como classe 1.3.2.

Note a consequência prática, que economiza dinheiro. Pode-se exigir classe rigorosa em óleo e tolerar classe mais folgada em partícula, se o processo permitir. Especificar tudo no nível mais alto é desperdício, porque cada nível a mais significa mais equipamento, mais perda de carga e mais custo de reposição. Isso depende de conhecer o processo que vai receber o ar, porque sem esse levantamento a tendência é pedir o máximo em tudo por segurança, e pagar por isso todo mês.

O exemplo escolhido para fixar o conceito é definitivo. Ar destinado à respiração não admite óleo, e aqui não basta filtrar: é preciso começar por um compressor isento de óleo e ainda assim purificar o ar, duas camadas e não uma. A razão é a consequência de errar, porque o ar vai para alguém que já está em dificuldade respiratória, e contaminação nesse ponto agrava o quadro de uma pessoa fragilizada.

Observe como esse exemplo conecta com o assunto anterior. É exatamente o caso em que trocar a máquina sai mais barato e mais seguro do que insistir na filtragem, e a norma é o que permite estabelecer isso objetivamente, em vez de discutir impressões.

A segunda metade do assunto percorre o esquema da linha de filtragem, da admissão até o ponto de consumo, e há uma surpresa no começo: o tratamento começa antes mesmo de o ar entrar na máquina. Existe um pré-filtro na admissão, e em compressores pequenos ele é literalmente uma espuma, aquela que se encontra ao abrir a capa de um compressor de pistão simples. Não deixa de ser filtro, porque retém partícula grande.

Repare que essa peça costuma ser tratada como consumível sem importância, e é a primeira a ser esquecida numa manutenção apressada. Um pré-filtro saturado aumenta a perda de carga na admissão, obriga a máquina a trabalhar com pressão de entrada menor e reduz a vazão efetiva. O compressor continua girando, consumindo a mesma energia, e entregando menos ar.

Em instalações mais exigentes esse tratamento de admissão é levado a sério, por duas razões. A qualidade do ar que entra determina parte da qualidade do ar que sai. E partícula aspirada é o que desgasta a máquina por dentro, o que faz do filtro de admissão um item de manutenção, não apenas de qualidade.

Vale explicitar por que esse assunto aparece numa disciplina de máquinas. Sem a classificação, a conversa com o fornecedor gira em torno de adjetivos, cada lado entende uma coisa diferente por ar de qualidade, e a divergência só aparece quando o sistema já está instalado. Com a classificação, a especificação vira um requisito verificável em três números, que o fornecedor atende ou não atende. É a diferença entre discutir impressão e discutir contrato, e é também o que permite comparar propostas, porque duas soluções com preços muito diferentes podem estar entregando classes diferentes.

Fechando, o dado que amarra tudo: um compressor lubrificado entrega de 2 a 4 miligramas de óleo por metro cúbico de ar, depois do separador. É desse valor que parte todo o cálculo da linha de filtragem, porque sabendo quanto óleo chega e qual classe o processo exige define-se quantos estágios de filtragem são necessários. E é esse mesmo número que decide se a aplicação comporta uma máquina lubrificada ou exige uma isenta de óleo desde o projeto.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

O QUE A ISO 8573-1 CLASSIFICA?

Três eixos independentes: presença de água, presença de óleo e tamanho de partícula. Cada um recebe sua classe, e o sistema é descrito por uma combinação, como 1.3.2.
______________________________
EXISTE AR DE BOA QUALIDADE?

Não em abstrato. Existe ar adequado ou inadequado para uma aplicação. Pintura, instrumentação e respiração têm exigências diferentes e classes diferentes.
______________________________
DEVO ESPECIFICAR A CLASSE MAIS RIGOROSA EM TUDO?

Não, é desperdício. Cada nível a mais significa mais equipamento, mais perda de carga e mais custo de reposição. Dá para exigir rigor em óleo e folga em partícula, se o processo permitir.
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QUANTO ÓLEO UM COMPRESSOR LUBRIFICADO ENTREGA?

De 2 a 4 miligramas por metro cúbico, depois do separador. É desse número que parte o cálculo de quantos estágios de filtragem a linha precisa.

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