
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
QUANDO FILTRAR O ÓLEO SAI MAIS CARO DO QUE TROCAR O COMPRESSOR
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

O ar que sai do compressor traz quatro problemas ao mesmo tempo: calor, água, partículas e, nas máquinas lubrificadas, óleo. Quando qualquer quantidade de óleo é proibitiva no processo, a saída não é filtrar melhor, é trocar a máquina por uma isenta. Insistir na filtragem acrescenta perda de carga, custo de elemento filtrante e um risco residual que nunca vai a zero.
Conteúdo da Aula
Existe uma situação em que a engenharia de ar comprimido aponta para a solução menos intuitiva. O processo não tolera óleo nenhum, o compressor instalado é lubrificado, e a reação natural é acrescentar filtros. Quase sempre é o caminho errado.
Até aqui a disciplina tratou de máquinas. A partir deste ponto trata do que vem entre a descarga do compressor e o ponto de consumo, e a razão é simples: o ar que sai da máquina não serve para uso direto, porque carrega quatro problemas simultâneos.
Sai quente, e quanto maior a taxa de compressão maior a temperatura de descarga. Carrega água, e aqui dois efeitos opostos atuam ao mesmo tempo, porque a compressão reduz a capacidade do ar de reter vapor, o que empurra parte da água para a condensação, enquanto a temperatura elevada aumenta essa capacidade, empurrando no sentido contrário. Carrega partículas aspiradas junto com o ar atmosférico. E, nas máquinas lubrificadas, carrega óleo, porque compressores de parafuso lubrificado, de palhetas e de pistão injetam óleo no processo e parte dele segue com o ar.
Vale a analogia que torna intuitiva a questão da umidade. Em dia quente a roupa no varal seca rápido, porque o ar tem mais capacidade de reter vapor. Em dia frio e úmido, justamente quando se quer que ela seque, demora, porque o ar já está próximo da saturação e não tem para onde receber mais água. É pela mesma razão que a toalha no banheiro acaba com cheiro de mofo, que não é falta de limpeza, é ar saturado que não consegue secar o tecido.
Observe que o compressor faz as duas coisas ao mesmo tempo com o ar: comprime, o que reduz a capacidade de reter vapor, e aquece, o que aumenta. O condensado aparece onde o balanço pende para o primeiro efeito, o que normalmente acontece ao longo da linha, quando o ar começa a esfriar.
E chega o ponto mais importante. Quando qualquer quantidade de óleo é proibitiva no processo, a saída não é filtrar melhor, é trocar a máquina por uma isenta de óleo. Insistir na filtragem significa acrescentar perda de carga à linha, comprar elementos filtrantes periodicamente e conviver com um risco residual que nunca vai a zero. Sai mais caro e funciona pior.
Isso depende de uma pergunta feita antes da compra, e não depois: o processo tolera traços de óleo, ou não tolera nenhum. São duas máquinas diferentes, e a decisão precisa ser tomada quando ainda é decisão de projeto.
Um caso recente, vindo de uma consulta de fabricante de transformadores, mostra como os assuntos se cruzam na prática. No processo, o transformador vai para uma câmara de altíssimo vácuo, por volta de 0,3 mbar, e injeta-se vapor de querosene para aquecer o papel isolante, forçando a água nele contida a evaporar, com o vácuo ajudando a retirá-la. Note o que esse caso ensina antes de qualquer detalhe técnico: vapor não é sinônimo de vapor de água. E um processo industrial real mistura termodinâmica, transferência de calor e mecânica dos fluidos ao mesmo tempo.
Uma correção importante ao modo como o assunto costuma ser apresentado. A remoção de condensado não acontece num único ponto, acontece no pós-resfriador, no reservatório, antes do secador e dentro dele. A separação didática em etapas não corresponde a uma sequência rígida em que cada equipamento resolve uma coisa e passa adiante. Na prática os equipamentos se sobrepõem, e é por isso que um diagnóstico de água na linha precisa olhar a cadeia inteira, e não apenas o secador.
Fechando, uma armadilha comercial que aparece com frequência. Existe no mercado o compressor com secador integrado, e é boa solução em local quente. Mas com o tempo o revestimento térmico degrada, o calor migra para a área fria do conjunto, e volta a aparecer água na linha, e em região mais fria o desempenho já não é o mesmo desde o início. O resultado é que não é raro vender um secador externo para uma máquina que já tem um secador integrado. Não se trata de má-fé do fornecedor, trata-se de um equipamento que, naquela condição, não entrega o que o catálogo promete.
Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
POR QUE O AR DO COMPRESSOR PRECISA SER TRATADO?
Porque sai quente, com água, com partículas aspiradas da atmosfera e, nas máquinas lubrificadas, com óleo. São quatro problemas simultâneos, não um.
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SE O PROCESSO NÃO TOLERA ÓLEO, DEVO FILTRAR MAIS?
Não. A saída é trocar a máquina por uma isenta de óleo. Filtrar acrescenta perda de carga, custo de elemento filtrante e deixa um risco residual que nunca vai a zero.
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ONDE O CONDENSADO É REMOVIDO?
Em vários pontos: no pós-resfriador, no reservatório, antes do secador e dentro dele. Não é uma fila em que cada equipamento resolve uma coisa e passa adiante.
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O SECADOR INTEGRADO RESOLVE?
Em local quente é boa solução. Com o tempo o revestimento térmico degrada, o calor migra para a área fria e volta a aparecer água na linha, e em região mais fria o desempenho já nasce comprometido.





