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Trechos das Aulas da Pós Graduação

SOPRADOR | A FAMÍLIA DO MEIO, E A DIFERENÇA PRÁTICA NÃO É A PRESSÃO

livro bombas industriais
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Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais

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A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

Termodinamicamente o soprador é compressor, com razão de compressão entre 1,1 e 2,5 e descarga de meio bar a um bar e meio relativos. A diferença prática não é a pressão, é o resfriamento: o compressor tem intercooler entre estágios e aftercooler na descarga, e o soprador não tem nenhum dos dois, nem mesmo nas versões multiestágio.

Conteúdo da Aula

Entre o ventilador e o compressor existe uma categoria inteira de máquinas com aplicações próprias. A classificação é de mercado, não de termodinâmica, e ainda assim ela se justifica. O que a define, na prática, não é o número de pressão que costuma ser citado.

Não há controvérsia quanto ao princípio: o soprador tem razão de compressão, portanto é um compressor. O que muda é a ordem de grandeza. A razão fica entre 1,1 e 2,5, o que resulta em pressões de descarga da ordem de meio bar a um bar e meio relativos na maioria dos casos. É pouco para um compressor e é muito para um ventilador, daí o apelido de família do meio.

Note que a defesa dessa classificação separada não é arbitrária. Os sopradores têm aplicações distintas das dos outros dois, e quando um segmento inteiro se organiza em torno de uma categoria, ignorá-la em nome do rigor acadêmico atrapalha a comunicação com o mercado. A origem do nome, aliás, é literal: o soprador começou fornecendo ar para caldeira, na mesma ideia de assoprar o carvão da churrasqueira para o fogo pegar mais rápido.

Na prática o estudo dessa máquina é dividido. O dimensionamento e o cálculo de perda de carga seguem a linha dos ventiladores, e é por ali que o assunto será desenvolvido quando a disciplina chegar ao dimensionamento. Há uma ressalva importante, porém: a variação de massa específica já não é desprezível como era no ventilador, e existe aquecimento pela compressão. São exatamente esses dois pontos que impedem tratar o soprador como um ventilador um pouco mais forte.

Se a pergunta for qual a diferença prática entre um soprador e um compressor, a resposta não é a pressão, é o resfriamento. O compressor tem intercooler entre estágios e aftercooler na descarga, e isso vale até para o compressor de pistão de oficina, que tem uma serpentina, um tubo fazendo um ou mais loopings, por onde o ar passa antes de entrar no reservatório. Aquilo é o aftercooler daquela máquina, resfriado pelo próprio fluxo de ar gerado pela polia.

O soprador não tem. Existem sopradores centrífugos multiestágio, mas mesmo neles não há resfriamento intermediário: um estágio vem atrás do outro e a descarga sai na temperatura que sair. Observe a consequência. No compressor existe uma preocupação de projeto com a temperatura do ar depois do equipamento. No soprador, o que ele descarregou está descarregado, e a temperatura passa a ser problema de quem recebe.

Isso não é necessariamente limitante, mas é ponto de atenção. Se a variação de temperatura for grande, é preciso pensar em meios de resfriamento, principalmente do sistema de óleo, porque acima de certo ponto o óleo perde as propriedades que deveria ter e aparecem problemas mecânicos na máquina.

A aeração de efluentes é a principal aplicação. Nas estações de tratamento, as lagoas que ficam borbulhando estão recebendo ar de um soprador, e o borbulhamento alimenta as bactérias aeróbicas, que consomem oxigênio enquanto fazem o tratamento da água. Funciona como a bombinha de aquário, em outra escala.

Vale o número que dimensiona a importância: numa planta de tratamento de efluentes o soprador consome mais da metade da energia da instalação, é o principal equipamento daquela operação. E isso não fica restrito às companhias de saneamento, porque grandes indústrias químicas, petroquímicas e refinarias costumam ter suas próprias estações de tratamento para a água que utilizam no processo.

O transporte pneumático vem em seguida, movendo grãos e pós através de tubulação pelo arraste do próprio fluxo de ar, e a fluidização usa o mesmo princípio. Há ainda o vácuo industrial de baixo diferencial, da ordem de meio bar negativo, ou cerca de 380 mmHg. O mesmo princípio da aeração aparece na mineração, no processo de flotação: injetando ar, as partículas leves são empurradas para cima e formam uma espuma concentrada, que é coletada, e o ouro é o exemplo clássico.

O bloco fecha com uma distinção de vocabulário que vale para a especificação. A classificação acadêmica e a de mercado não coincidem: academicamente alto vácuo é a região próxima do vácuo absoluto, e no mercado valores por volta de 740 a 750 mmHg já são chamados de alto vácuo, lembrando que o máximo teórico é 760. Na prática, quem lê uma especificação precisa saber em qual das duas convenções ela foi escrita, sob pena de cotar um equipamento de categoria completamente diferente da pretendida.

Esse recorte faz parte de uma das aulas da pós-graduação em Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais. Conheça em engenhariaecia.com/pos.

FAQ: Perguntas Frequentes

QUAL A DIFERENÇA PRÁTICA ENTRE SOPRADOR E COMPRESSOR?

O resfriamento. O compressor tem intercooler entre estágios e aftercooler na descarga, e o soprador não tem nenhum dos dois, nem mesmo nas versões multiestágio.
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QUAL A RAZÃO DE COMPRESSÃO DE UM SOPRADOR?

Entre 1,1 e 2,5, o que resulta em descarga de meio bar a um bar e meio relativos na maioria dos casos. É pouco para compressor e muito para ventilador.
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ONDE O SOPRADOR É MAIS USADO?

Na aeração de efluentes, onde chega a consumir mais da metade da energia da instalação. Também em transporte pneumático, fluidização, flotação na mineração e vácuo de baixo diferencial.
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ALTO VÁCUO SIGNIFICA A MESMA COISA EM TODO LUGAR?

Não. Academicamente é a região próxima do vácuo absoluto. No mercado, 740 a 750 mmHg já são chamados de alto vácuo, sendo 760 o máximo teórico.

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