
Engenharia aplicada no dia a dia industrial.

Trechos das Aulas da Pós Graduação
VOLUME MORTO | POR QUE A CILINDRADA NÃO É A VAZÃO DO COMPRESSOR
Pós-Graduação Engenharia de Movimentação de Fluidos e Equipamentos Industriais
Se o conteúdo fez sentido para você, imagine ter acesso ao curso completo, com apostila técnica, avaliações, certificado reconhecido e acompanhamento do Prof. Micelli Camargo.
A pós-graduação foi desenvolvida para engenheiros que precisam dominar sistemas de bombeamento, tubulações, válvulas, compressores e o comportamento de fluidos na prática industrial, o que a faculdade não ensina.

O volume morto é o gás que fica aprisionado quando o pistão chega ao ponto morto superior. Numa cilindrada de 1.000 ml com 200 ml de volume morto, o volume efetivamente deslocado fica em 800 ml. O fabricante informa o volume deslocado, já descontado, e não a cilindrada.
Conteúdo da Aula
Comece pelos dois limites do movimento. O ponto morto inferior é a posição mais baixa que o pistão alcança, e o ponto morto superior é a mais alta. O volume que o pistão percorre entre esses dois pontos é o volume da cilindrada, o mesmo conceito usado em motores de combustão. Se o cilindro fosse perfeito, esse seria o volume de trabalho da máquina: admite-se aquele volume e descarrega-se aquele volume a cada ciclo.
Só que o pistão não encosta na tampa. Sempre existe um espaço remanescente quando ele atinge o ponto morto superior, e nesse espaço fica gás aprisionado: é o volume morto. Ele é pequeno, mas existe, e tem consequência direta. O gás aprisionado ali já está comprimido, e na descida seguinte ele se expande antes que a pressão no cilindro caia o suficiente para abrir a válvula de admissão. Durante essa expansão, nada entra. O resultado é que o volume efetivamente admitido é menor que a cilindrada.
O exemplo trabalhado em aula torna isso concreto. Considere uma cilindrada de 1.000 ml, ou 1 litro, e um volume morto de 200 ml, valor exagerado de propósito para ficar visível no desenho. A cilindrada continua sendo 1.000 ml, mas o volume efetivamente deslocado fica em torno de 800 ml. E é o volume deslocado, multiplicado pela frequência de operação, que dá a vazão volumétrica da máquina.
Agora o passo que transforma esse conceito em ferramenta de controle. Interliga-se ao volume morto existente um volume adicional, um bolsão, que a literatura em inglês chama de clearance pocket. Em operação normal esse bolsão fica fechado, isolado do cilindro. Num momento em que se deseja reduzir capacidade, abre-se a comunicação. Suponha que esse bolsão tenha outros 200 ml: a cilindrada continua 1.000 ml, o pistão continua percorrendo o mesmo curso, a máquina continua girando na mesma rotação, mas o volume morto total agora é maior, a expansão do gás aprisionado dura mais, e menos gás novo entra a cada ciclo. Reduz-se a capacidade sem desativar cilindro, sem alterar rotação e sem interromper a operação.
Aqui se resolve a confusão que abre o assunto: o fabricante não informa a cilindrada, ele informa o volume deslocado, com o volume morto já descontado. É o número útil. Repare também na unidade escolhida: em compressor de pistão não se costuma falar em pé cúbico por minuto, e sim em volume deslocado, porque a vazão depende da rotação e a vazão mássica depende ainda da temperatura.
Fabricantes de máquinas modernas trabalham para reduzir o volume morto, porque isso melhora a eficiência volumétrica, e em compressores de refrigeração que operam 24 horas por dia esse esforço se paga. Mas zerar não é possível, por segurança: sem folga alguma, qualquer líquido que chegue ao cilindro provoca golpe hidráulico. Vale um contraponto de família: o compressor scroll, com dois caracóis, não tem essa diferença de volume morto, e comparado a um pistão de mesma capacidade é sensivelmente mais eficiente.
Na leitura integrada da planta, o tema pertence à dimensão de máquina e conecta com especificação e diagnóstico. Na pós, isso faz parte do método Visão Integrada de Planta. Conheça em engenhariaecia.com/pos.
FAQ: Perguntas Frequentes
O QUE É VOLUME MORTO NUM COMPRESSOR DE PISTÃO?
É o espaço remanescente no cilindro quando o pistão atinge o ponto morto superior, onde fica gás aprisionado. Esse gás já comprimido precisa se expandir na descida seguinte antes que a válvula de admissão possa abrir.
______________________________
CILINDRADA E VOLUME DESLOCADO SÃO A MESMA COISA?
Não. A cilindrada é o volume que o pistão percorre entre os pontos mortos. O volume deslocado é o que efetivamente entra, já descontado o efeito do volume morto. Numa cilindrada de 1.000 ml com 200 ml de volume morto, o deslocado fica em torno de 800 ml.
______________________________
COMO FUNCIONAM OS BOLSÕES DE VOLUME MORTO?
São volumes adicionais interligados ao volume morto existente, normalmente fechados. Abrindo a comunicação, o volume morto total aumenta, a expansão do gás aprisionado dura mais, e menos gás novo entra por ciclo, reduzindo a capacidade.
______________________________
POR QUE NÃO SE ELIMINA O VOLUME MORTO?
Por segurança. Sem folga alguma, qualquer líquido que chegue ao cilindro provoca golpe hidráulico. E líquido pode aparecer, porque uma queda de pressão pode levar o gás ao ponto de orvalho e condensar dentro da máquina.





